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A VOZ DO SERTÃO TEM NOME: HELENO SILVA, O RETORNO DE QUEM NUNCA SAIU DE VERDADE

O sertão sergipano vive um dos seus momentos mais silenciosos na política federal. A última vez que uma voz do interior profundo ecoou com firmeza em Brasília, ela vinha de alguém que sabia exatamente onde o calo do povo apertava, e não por teoria ou pesquisa encomendada, mas por ter nascido, crescido e morado entre o barro e o asfalto quente das cidades sertanejas. Seu nome? Heleno Silva.

Desde que deixou a Câmara Federal, o sertão ficou órfão. E não é figura de linguagem. Porque a verdade é que não temos, hoje, um único deputado federal que represente de fato, com legitimidade de origem e vivência, o sertanejo sergipano. Falam de João Daniel como “nome do sertão”, mas vamos falar a verdade? João pode até ser de luta, mas não é daqui. Veio de fora, se deu bem politicamente por aqui e nunca foi enraizado nas dores do nosso chão rachado. Não tem raiz, não tem cheiro de poeira, nem calo de feira. É um militante com pauta nacional, e nada contra isso, mas não é o cara que o povo de Porto da Folha, Glória, Monte Alegre e Canindé chama pelo nome na porta da padaria.

Heleno é. E é porque nunca saiu. Mesmo fora dos holofotes, ele continuou morando no sertão, dividindo os dias entre Monte Alegre, Nossa Senhora da Glória e Canindé de São Francisco. Não fez do mandato uma ponte pra ir embora: fez do sertão a sua casa, com ou sem mandato.

E se o sertão perdeu com a sua ausência em Brasília, agora tem a chance de recuperar o tempo perdido. Heleno volta com outro perfil: menos pastor de púlpito, mais gestor de resultado. Volta mais calmo, mais experiente, mais administrador que agitador. Vem com equilíbrio, partido organizado e discurso alinhado com as dores reais do povo. A seca, o abandono, o endividamento rural, a dificuldade de crédito, a falta de presença institucional, ele viu tudo isso do lado de dentro, não do ar-condicionado de gabinete.

Aliás, pouca gente lembra, mas foi Heleno quem articulou, junto ao Banco do Nordeste, a anistia de dívidas de pequenos agricultores que perderam suas safras. Microcréditos agropecuários que seriam a sentença de falência para centenas de famílias foram renegociados, perdoando, salvando, dando fôlego a quem planta esperança onde mal dá milho. Não é papo de palanque. É ação documentada.

E não se pode apagar sua trajetória: deputado estadual, deputado federal por dois mandatos, secretário de Agricultura, prefeito de Canindé, com acertos e erros, como qualquer gestor que enfrentou o desafio de governar de verdade. Não é um nome de laboratório. É um nome de estrada.

Sim, ele enfrentou desgastes políticos. Sim, sua última gestão em Canindé teve tropeços. E sim, sua chapa ao Senado naufragou. Mas quem nunca errou que atire a primeira urna. O que importa agora é que Heleno ressurge com a força do sertão, da base popular, das igrejas, dos agricultores, das famílias que se sentem esquecidas pela elite política da capital.

Hoje, a bancada federal de Sergipe tem olhos voltados para o litoral, para a mídia, para os grandes centros. Mas ninguém olha o sertão como o sertão merece ser olhado. A volta de Heleno à Câmara não seria apenas o retorno de um ex-parlamentar, seria o retorno do próprio sertão ao Congresso Nacional.

A pergunta que se faz por aí não deveria ser “vale a pena apostar em Heleno de novo?”. A pergunta correta é: o sertão vai continuar sem ninguém que fale a sua língua em Brasília? Porque se depender de quem está lá hoje, o sertão seguirá como figurante de um filme que se passa bem longe daqui.

Heleno Silva é, sim, um nome forte, conhecido, testado e, agora, mais preparado. E mais importante: é o único que ainda anda de cabeça erguida por entre as ruas que muitos só visitam em época de eleição. O sertão não precisa de salvador, precisa de representante. E nisso, ninguém tem mais legitimidade que ele.

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