A CPI da Adultização trata de um tema gravíssimo: crimes contra crianças e adolescentes, incluindo exploração, abuso e pedofilia on-line. Ninguém com dois neurônios funcionando e um pingo de humanidade pode tratar isso como assunto menor. Alcolumbre diz que quer instalar o colegiado “o mais rápido possível”. Até aí, tudo certo. O problema é quando a pressa aparece para uma CPI e vira caminhada de jegue manco para outra investigação que também mexe com o Brasil inteiro.
O caso Banco Master não é conversa de cafezinho no mercado financeiro. A investigação envolve suspeitas de fraude bilionária, prejuízo enorme ao país, prisão de Daniel Vorcaro e uma rede de contatos políticos de alto nível. Não se trata de uma agência bancária que esqueceu de trocar a lâmpada da recepção. É um caso que parece mistura de golpe financeiro com bastidor de Brasília, daqueles em que todo mundo diz que só passou perto, mas as mensagens e os encontros insistem em bater na porta.
A crítica a Alcolumbre nasce justamente dessa diferença de tratamento. Parlamentares cobraram a instalação de uma CPMI para investigar o Banco Master, mas o presidente do Senado não leu o requerimento e sustentou que a leitura seria ato discricionário da Presidência. Traduzindo do regimentalês para o português de feira: ele disse que lê quando entender que deve ler. Só que, diante de suspeita de rombo bilionário, banco quebrado, investigação federal e políticos orbitando o caso, o Senado não pode agir como porteiro de sala VIP.
O ponto central não é jogar uma CPI contra a outra. Proteger crianças e apurar escândalos financeiros são deveres públicos sérios e simultaneamente legítimos. O problema é que uma investigação anda de foguete e a outra parece presa em procissão de interior com pneu furado. Quando Alcolumbre acelera a CPI da Adultização e freia a CPMI do Banco Master, abre espaço para a leitura de conveniência política. Discurso contra crime é fácil. Difícil é acender a luz quando o escândalo tem cofre, banqueiro, mensagem vazada e político rondando feito mariposa em poste de praça.




