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Alese avança em política social: utilidade pública e emendas de R$ 1,9 milhão da deputada Linda Brasil

A Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) tem acelerado uma agenda que, à primeira vista, soa bem com a retórica da “responsabilidade social”: aprovou recentemente projetos que reconhecem instituições filantrópicas como de utilidade pública estadual, ao mesmo tempo em que uma deputada de oposição — Linda Brasil (PSOL) — destinou R$ 1,9 milhão em emendas para saúde e educação em cidades sergipanas. Essas duas frentes, embora distintas, se conectam: ambas reforçam o discurso — e a prática — de que o Estado precisa estar mais atento às demandas dos que vivem à margem.

Mas até que ponto essas medidas são simbólicas ou efetivas? E qual o peso político por trás delas?


Reconhecimento de utilidade pública estadual: o que muda na prática?

O que é utilidade pública estadual?

Para ser declarada de utilidade pública estadual, uma instituição não pode ter fins lucrativos e deve prestar serviços relevantes à sociedade. Com esse reconhecimento, passam a ter benefícios como:

  • possibilidade de captar recursos públicos por meio de editais
  • isenção de taxas e de contribuições ligadas à seguridade social
  • imunidade fiscal para certos tributos cartorários

Ou seja: é muito mais que um título simbólico — pode ser uma porta para recursos e para sobrevivência institucional.

O que foi aprovado em Sergipe

  • A Lei Ordinária 9.498/2024 reconheceu a Federação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais Filantrópicos e Entidades de Filantropia e Beneficência do Estado de Sergipe como de utilidade pública estadual.
  • Recentemente, a Alese revalidou e aprovou utilidade pública para outras entidades menores, como o Asilo Santo Antônio, em Estância, e associações de costureiras em municípios do interior.
  • Também já houve votação favorável para três instituições em Aracaju e no interior em uma sessão específica de reconhecimento de utilidade pública.

O impacto e os limites desse reconhecimento

Impactos positivos potenciais:

  1. Mais segurança jurídica e visibilidade institucional — entidades podem se candidatar a editais estaduais e participar de convênios.
  2. Maior sustentabilidade financeira — com acesso a recursos públicos antes inacessíveis ou fechados.
  3. Fortalecimento do terceiro setor — num contexto em que o Estado sozinho não consegue atender tudo, a parceria com organizações filantrópicas pode ser decisiva.

Limites e riscos:

  • Reconhecimento por si só não garante recursos imediatos: se não houver orçamento, edital ou vontade política, o efeito pode ser simbólico.
  • A fiscalização é essencial: sem controle, risco de desvio ou uso indevido dos mecanismos de isenção se amplia.
  • A dependência excessiva de repasses públicos pode comprometer a autonomia das instituições filantrópicas.
  • Há tensão política: entes simpatizantes ao governo tendem a ter mais acesso — pode haver favorecimento velado.

Em resumo: reconhecer utilidade pública é necessário, mas não suficiente. O passo seguinte é garantir que os instrumentos financeiros e regulamentares realmente cheguem até essas instituições.


Linda Brasil e as emendas: R$ 1,9 milhão + retórica social

Quem é Linda Brasil

Linda Brasil Azevedo Santos é uma educadora, ativista transfeminista e política sergipana. Foi fundadora da Amosertrans (Associação do Movimento Sergipano de Travestis e Transexuais) e da Casa de Acolhimento CasAmor Neide Silva. Ela fez história ao se tornar a primeira mulher trans vereadora de Aracaju e, em 2022, a primeira mulher trans eleita deputada estadual em Sergipe.

Seu mandato tem entre as bandeiras centrais a defesa dos direitos humanos, das pessoas LGBTQIA+, o combate às desigualdades e o fortalecimento de políticas públicas para grupos vulneráveis.

Onde irão os R$ 1,9 milhão

Segundo anúncio oficial da Alese, as emendas da deputada serão destinadas às áreas de saúde e educação em municípios do interior de Sergipe.

O site da Assembleia destaca o compromisso com serviços públicos essenciais, alinhado ao discurso de que o mandato de Linda Brasil não é simbólico — ela pretende entregar “coisas palpáveis” para a população que não costuma ver política além de promessas.

Avaliação crítica

  • Visibilidade e legitimidade: ao direcionar recursos para saúde e educação, Linda Brasil reforça uma narrativa de que “política útil” existe, sobretudo para grupos marginalizados.
  • Desafio da escala: R$ 1,9 milhão pode parecer uma quantia significativa, mas, no contexto estadual, é modesta frente às demandas de infraestrutura, recursos humanos e manutenção dessas áreas.
  • Cobrança por concretude: o eleitorado — especialmente nas cidades menores que receberão os recursos — cobrará resultados: obras, equipamentos, contratação de pessoal, serviço funcionando.
  • Possível crítica de “propaganda”: opositores ou críticos podem questionar se essas emendas têm caráter eleitoreiro — sobretudo se houver coincidência entre municípios contemplados e regiões estratégicas politicamente.
  • Sustentabilidade posterior: os municípios ou entidades beneficiárias precisarão manter ou absorver parte dos custos a partir do momento em que o recurso acabar. Isso exige planejamento e gestão local.

Convergência entre utilidade pública e emendas: estratégia política ou agenda social?

Há uma interseção clara entre os dois temas:

  • O reconhecimento de utilidade pública abre caminhos para que instituições filantrópicas acessem recursos e convênios — algo que ajuda a estruturar políticas sociais locais.
  • As emendas da deputada ajudam a garantir recursos concretos que podem ser aplicados em unidades de saúde, escolas, reformas, compra de equipamentos etc.
  • Politicamente, ambos os movimentos ajudam a construir uma narrativa de ação efetiva, contrastando com discursos que veem política apenas como disputa de poder ou promessas vazias.

Mas há tensão: quem decide quem “merece” ser reconhecido? Como garantir que essas instituições façam um uso transparente dos recursos? Qual o critério de escolha dos municípios? E, sobretudo: será que isso reduz desigualdades ou apenas redistribui favores numa lógica clientelista?


O que resta acompanhar?

  1. Transparência nos repasses e prestação de contas — indispensável para que o reconhecimento de utilidade pública não vire instrumento de favorecimento político ou desvio.
  2. Resultados concretos nos municípios contemplados — quanto das emendas de Linda Brasil serão efetivamente aplicadas em equipamentos, contratação, manutenção?
  3. Controle social e participação — entidades da sociedade civil devem acompanhar, pressionar e fiscalizar.
  4. Continuidade institucional e política — iniciativas como essas precisam ir além de mandatos e eternizar-se em políticas de Estado.
  5. Risco de politização excessiva — será vital separar ação social legítima de propaganda partidária ou alinhamento com o governo.

Conclusão

O movimento da Alese para reconhecer instituições filantrópicas como de utilidade pública estadual e a ofensiva de emendas da deputada Linda Brasil delineiam uma estratégia consciente: combinar discurso com prática, simbolismo com orçamento. É uma tentativa de reafirmar que o Estado e a política ainda podem — e devem — servir aos vulneráveis, não apenas aos poderosos.

Mas é cedo para celebrar. O valor de verdade dessas iniciativas vai depender da execução, da fiscalização e da resistência coletiva para garantir que essas ações não fiquem no discurso bonito e vazio, mas gerem impactos reais para quem mais precisa.


Você acha que esse movimento da Alese e as emendas de Linda Brasil vão mudar de fato a vida das pessoas no interior de Sergipe — ou vão acabar virando uma “fachada política”? Comente abaixo e compartilhe.


Fontes principais

  • Assembleia Legislativa de Sergipe (site oficial)
  • Lei Ordinária 9.498/2024 (Sergipe)
  • Materiais institucionais da deputada Linda Brasil
  • Jornalismo local da Alese

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