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Alícia perdeu a cadeira. Rogério já reservou outra?

A eleição acabou, mas a novela ganhou capítulo extra: uma exoneração virou disputa política contra a gestão de Emília Corrêa. Alícia Oliveira, que ajudou a organizar uma corrida pró-Lula, perdeu o cargo comissionado na Emsurb e denunciou perseguição. A empresa afirma que a decisão foi administrativa. Por enquanto, a discriminação não foi comprovada. E há uma ironia na história: se Alícia considera o governo municipal tão incompatível com suas convicções, talvez trabalhar ali já fosse um exercício diário de paciência ideológica. Mas opinião política não é falta funcional, e uma exoneração não se torna perseguição só porque rendeu vídeo e manchete.

Na política, a memória é feita de borracha: apaga o que não convém. Marcelo Déda promoveu exonerações quando assumiu o governo estadual; Lula também renovou equipes ao chegar ao Planalto em 2023. Trocar comissionados não é uma invenção de Emília. Cargo de confiança não vem com escritura, chave na mão e direito de herança. A Constituição permite a livre exoneração, embora proíba usar essa prerrogativa para retaliar alguém por seu voto. A comparação entre governos é válida; transformar toda troca de equipe em conspiração, não. Se houver prova de perseguição, que apareça. Se não houver, menos espetáculo e mais Diário Oficial.

Rogério Carvalho entrou em cena com Alícia e denunciou perseguição e prometeu trabalhar para que ela volte a ter emprego. Aí a história ganhou um final potencialmente feliz! Que tal o senador consultar as vagas de seu próprio gabinete? Seria uma solução espirituosa para quem defende a confiança política: ele conhece a militância de Alícia, ela conhece o discurso do PT, e ninguém precisaria fingir surpresa com divergências ideológicas. Só um detalhe, para não transformar esperança em portaria: Rogério prometeu ajudar na recolocação, não anunciou nomeação nem vaga garantida.

O que falta nessa controvérsia é o ingrediente menos popular das redes sociais: prova. A Emsurb deve explicar os critérios da mudança; Alícia pode questioná-los, e Rogério pode cobrar transparência. A gestão municipal, por sua vez, tem o direito de organizar a equipe nos limites da lei. Democracia não exige que adversários políticos concordem em tudo nem que um cargo comissionado dure para sempre. E Alícia pode olhar para a frente: o senador assegurou publicamente que vai trabalhar para que ela não fique desempregada. Agora a torcida é para que a promessa encontre uma oportunidade real. Melhor ainda se for no gabinete dele: a política perderia um drama e ganharia um teste de coerência.

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