Os moradores de Aquidabã, ou “Aquitábão”, como alguns ousam chamá-lá têm uma pergunta legítima: quem governa de fato? Por mais que a prefeita Ana Helena exista no papel, ela se tornou uma presença quase fantasmagórica no município. Vive-se um governo de plantão: aparece em festa, some durante a semana, e deixa o dia a dia nas mãos de coordenadores que não respondem por nada ou por tudo, conforme o acaso favoreça seus aliados.
A população reclama, com razão que não tem acesso à gestora. “Não vejo a prefeita circulando”, “ela só surge nos finais de semana”, “parece mais estudante de medicina do que chefe de Executivo”, são expressões que ganham força e indignação. Afinal, se ela persiste em manter uma rotina de ausências, como se espera que exerça suas funções como prefeita?
E mais: a informação pública mostra que o curso de Medicina em um faculdade particular tem regime integral, com carga horária total de 7.880 horas, distribuídas entre teoria, prática, estágio (internato) e atividades complementares. Isso exige dedicação total, presença constante em sala de aula, laboratórios, estágios e hospitais conveniados. Como conciliar isso com a administração municipal que exige decisões, desempenho público, reuniões, fiscalização de obras, controle administrativo e contato permanente com a população?
Se Ana Helena afirma que é “estudante” e prefeita de “plantão”, a sociedade tem o direito de questionar: até que ponto ela exerce, de fato, o mandato que assumiu? Se suas ausências são frequentes, quem de fato toma as rédeas da cidade? Há indícios de que um grupo externo, possivelmente ligado ao ex-prefeito Dr. Francimário, esteja operando a máquina municipal nos bastidores.
A situação é ainda mais grave quando o município se apresenta como órfão de decisões. Obras paradas, falta de respostas, ausência de projetos novos, rotinas internas que parecem invisíveis, tudo isso alimenta a impressão de abandono. A cidade precisa de alguém que governe com firmeza, que apresente resultados e interlocução com o município, não de uma figura simbólica que aparece em festas, mas suma dos compromissos administrativos.
Não se trata de desmerecer sua juventude ou sua vontade de estudar medicina, pelo contrário: estes são atributos positivos, desde que conciliados à responsabilidade do cargo que ocupa. Mas os fatos mostram que essa conciliação não está ocorrendo, ou está acontecendo de maneira disfuncional.
Ana Helena, seja prefeita ou seja estudante (ou as duas ao mesmo tempo), ficou claro que Aquidabã exige presença. Se seu vigor, tão destacado por sua idade, não se traduz em gestão, ela será lembrada como aquela que fugiu do batente. E se Mário, seu apoiador identificado por muitos, realmente tem “esperteza”, que a use em favor da cidade, não como substituto silencioso do mandato que ela deveria exercer.
Aquidabã será acompanhada de perto. A população exige prestação de contas, exige visibilidade administrativa, exige que a prefeita apareça, não para pose de eleição, mas para trabalho cotidiano. Enquanto isso, restam dúvidas: será que a Ana Helena que não se vê é prefeita de fato, ou apenas figura decorativa? Quem tem poder hoje é o gestor de fato e não quem recebeu o voto.




