Ele fica bem no centro de Aracaju, mas aposto que muita gente nunca sequer passou pela porta. No coração da capital, ao lado da Praça Fausto Cardoso, existe um verdadeiro tesouro escondido: o Arquivo Público de Sergipe. Sim, ele existe, tem mais de um século de vida e guarda sete milhões de documentos que contam a nossa própria história. Mas… você já ouviu falar dele?
Um século de memória sergipana
O Arquivo Público do Estado de Sergipe completou 102 anos de existência. Foi fundado lá atrás, em 1923, com a missão de preservar os registros da administração pública e da sociedade sergipana. Hoje, é um guardião silencioso de manuscritos, mapas, livros raros, jornais antigos, fotografias e até decretos esquecidos que moldaram a vida de quem nasceu, viveu e governou por aqui.
Entre as preciosidades do acervo, está uma escritura de compra e venda feita em Itabaiana no ano de 1692. Isso mesmo: 1692. É o documento mais antigo do Arquivo. Também estão lá todos os Diários Oficiais do Estado desde 1895. Se quiser saber o que o governo publicou no século XIX, é só ir lá.
Mas o mais curioso é que mesmo com esse acervo histórico à disposição, a maioria da população sequer sabe da existência desse espaço. Fala sério: como é que a gente vive em um estado e não conhece a casa da nossa própria memória?
O Arquivo é público, mas quase ninguém entra
O prédio do Arquivo Público de Sergipe está aberto para visitação, recebe escolas, pesquisadores, turistas e qualquer cidadão curioso por suas raízes. Durante as férias, promove oficinas, exposições temáticas e visitas guiadas. Tem estrutura, tem material, tem história de sobra. Só falta gente.
A pergunta que fica é: por que a população de Sergipe ainda não se apropriou desse espaço?
A resposta talvez esteja na forma como a gente se relaciona com a história. Parece distante, parece coisa de livro didático. Mas não é. A história está viva, está nos papéis envelhecidos guardados ali, está nas decisões que impactaram o presente que a gente vive hoje.
História não é só para acadêmico
O Arquivo não é um depósito de papel velho. É um espelho do passado que ajuda a entender o agora. É lá que estão as vozes apagadas, as lutas esquecidas, as conquistas registradas e as contradições que nunca morreram. Tem história indígena, processos da escravidão, testamentos do século XIX, plantas urbanas de cidades que nem existiam como a gente conhece hoje.
É lá que qualquer estudante, professor, jornalista, advogado ou cidadão comum pode encontrar informações valiosas sobre sua cidade, sua família, seu povo.
E se a gente começasse a visitar o que é nosso?
Está na hora de olhar para o Arquivo Público de Sergipe como ele merece: com respeito, curiosidade e senso de pertencimento. Se você mora em Aracaju ou no interior, que tal incluir esse espaço no seu roteiro de descobertas? Em vez de repetir que “o povo não tem memória”, que tal começar a exercê-la?
Afinal, a memória de um povo não se faz só com estátuas e datas comemorativas. Ela se constrói nos detalhes preservados, nos documentos escondidos e nas histórias que ainda não foram contadas. E o Arquivo está lá, há 102 anos, esperando para ser redescoberto.
Vai encarar o desafio?
Você já entrou no Arquivo Público de Sergipe? Sabia que esse lugar existe? Que tal marcar uma visita e mergulhar num pedaço vivo da história sergipana?
Já conhecia o Arquivo Público de Sergipe? Conta pra gente nos comentários. Nunca foi? Marca aqui quem vai contigo na próxima visita e compartilha essa matéria com quem também precisa conhecer esse pedaço esquecido da nossa memória.
Fontes Principais
Governo de Sergipe
Secretaria de Estado da Educação e da Cultura
Arquivo Público de Sergipe




