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Arraiá do Povo 2025 estreia com multidão, resistência cultural e um recado claro: o forró é político

Quando o povo ocupa o espaço público com música, suor e tradição, não é só festa: é resistência. Foi isso que vimos ontem (30), na abertura do Arraiá do Povo 2025, na Orla da Atalaia, em Aracaju. Mais de 32 mil pessoas desafiaram a chuva e mostraram que o São João não é só da elite gourmetizada dos camarotes, mas da massa que dança forró com os pés na lama — e orgulho no peito.

O evento, bancado pelo Governo de Sergipe, marca o início de 60 dias de programação cultural. Sessenta dias em que o Estado vira palco, palanque e trincheira do forró. E sim, isso é político.

Calcinha Preta, Zé Vaqueiro e o protagonismo do povo

No palco principal, não teve espaço pra ensaio de “modinha de TikTok”. Quem abriu a noite foi Zé Vaqueiro, com aquele repertório chiclete que faz o chão tremer. Em seguida, Calcinha Preta entregou tudo: clássico atrás de clássico, com o público em êxtase. A banda Fogo na Saia fechou a noite debaixo de chuva, mas com o povo pedindo bis — e ninguém arredando o pé.

Aliás, o cantor Pedro Lua, sergipano da gema, teve seu show adiado pela chuva. A previsão é que ele se apresente nos próximos dias, reafirmando o espaço dos artistas locais no centro do palco.

Vila do Forró, Palco 360º e um recado para os engravatados

Destaque também para a Vila do Forró, que reuniu trios pé de serra, quadrilhas e grupos folclóricos em um formato mais intimista. Enquanto isso, o novo Palco 360º aproximou artistas do público de um jeito que nenhum camarote faria.

A mensagem é clara: o Arraiá do Povo não é um produto para turistas, é identidade viva, pulsante e coletiva. Não se trata só de entreter. Trata-se de ocupar espaços com a cultura popular, aquela que não precisa de curadoria da Faria Lima.

Segurança sem exageros, estrutura pra ninguém botar defeito

A festa teve esquema reforçado de segurança, com revista obrigatória nas entradas, limitação de lotação e proibição de objetos perigosos. Tudo funcionou — e sem truculência.

A estrutura contou com 20 lanchonetes, 11 bares, mais de 100 banheiros químicos e uma ilha de hidratação da Deso. Ou seja: dá pra curtir sem passar aperto. E com respeito, que é o que falta em muita festa por aí.

Forró por 60 dias: que venham os próximos embates culturais

A programação segue até 29 de junho na arena principal, e continua na Vila do Forró até o fim de julho. Serão 701 atrações, com 90% de artistas sergipanos. Uma resposta direta a quem insiste em importar cultura enlatada e esquecer dos nossos.

Se tem uma coisa que ficou clara nessa estreia é que o forró é um ato político, e o povo sergipano segue pronto pra dançar — e resistir.


Você acha que o São João perdeu sua essência ou Sergipe está resgatando o que é nosso por direito? Comente, compartilhe e cutuque aquele amigo que só valoriza Lollapalooza.


Fontes Principais

  • Governo de Sergipe
  • Infonet
  • F5 News

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