Enquanto a prefeita anunciava Wesley Safadão como atração do Forró Caju 2026, o ex-deputado Arthur do Val decidiu soltar sua verborragia preconceituosa nas redes sociais. O alvo? O povo de Aracaju. O estilo? Aquele velho enredo de arrogância, ignorância e xenofobia que já virou marca registrada do “Mamãe Falei”.
“Gente burra”, “chimpanzil” e o desprezo que escorre pelo nariz
Arthur não economizou no baixo calão: chamou os sergipanos de “povo burro do c…”, “gente filha da p…”, “retardada” e — veja só o requinte — “povo de chimpanzil”. A motivação para o surto? O entusiasmo popular com o anúncio de Safadão como atração do Forró Caju. Para ele, isso bastou para lançar ataques generalizados ao estado de Sergipe, usando estatísticas sociais como munição de desprezo.
Na lógica rasa do ex-deputado, nordestino que comemora show é automaticamente um ser inferior. Ou seja, a boa e velha xenofobia disfarçada de opinião. E ainda teve a audácia de classificar tudo como “prática do Nordeste”, como se estivesse acima de todo o país abaixo do eixo Rio-SP.
Aracaju responde à altura: “não é crítica, é crime”
A prefeita Emília Corrêa não engoliu o desaforo. Chamou o que ele fez pelo nome certo: crime. Xenofobia, injúria e discriminação. Prometeu levar o caso à Justiça e anunciou ação por danos morais coletivos. Segundo ela, não se trata de liberdade de expressão — se trata de atacar um povo inteiro por puro preconceito.
E a reação institucional não parou aí. O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, também entrou no jogo: “nenhum povo merece ser desrespeitado”. Disse ainda que o sergipano é honesto, trabalhador e merece respeito. Só faltou perguntar: e Arthur do Val merece palco?
O Brasil político se une — pelo menos desta vez
Curiosamente, o episódio uniu diversos espectros políticos. O vice-prefeito Ricardo Marques levou a bronca para o MPF. O deputado federal Ícaro de Valmir apresentou notícia-crime. A delegada Katarina, também deputada federal, chamou o ato de covardia — “criticar gestores é legítimo. Ofender um povo inteiro é covarde”, cravou. Já a Federação dos Municípios de Sergipe exigiu retratação pública e denunciou racismo e xenofobia.
De todos os lados, ficou claro: o que Arthur do Val fez ultrapassou qualquer debate político. Ele decidiu usar a audiência que ainda lhe resta para disseminar preconceito. E o povo respondeu — com ação judicial, moção de repúdio e indignação legítima.
Mas por que ainda damos palco a esse tipo de figura?
A pergunta que não quer calar: até quando vamos fingir que esse tipo de fala é “polêmica” e não crime? Arthur do Val já é reincidente. Sua expulsão da Alesp, após os comentários misóginos sobre mulheres ucranianas, não foi suficiente para calá-lo. Agora, ataca nordestinos como se estivesse numa mesa de bar entre amigos — só que transmitido ao vivo.
O caso escancara uma ferida aberta no Brasil: o preconceito contra o Nordeste ainda é socialmente tolerado por muitos. Só que, desta vez, a reação foi à altura da ofensa. Se depender do povo sergipano, ele vai aprender — na marra e nos tribunais — que aqui, xenofobia não passa.
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Fontes Principais:
Infonet, G1 Sergipe, Prefeitura de Aracaju, O Caju, Xodó News, Rede social oficial do Governo de Sergipe




