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As mulheres e a disputa por Sergipe na Câmara Federal

As movimentações políticas em Sergipe, especialmente em torno da disputa pelas oito cadeiras na Câmara Federal, já revelam o peso crescente das pré-candidaturas femininas. Em um cenário cada vez mais competitivo, nomes consolidados e novas apostas indicam que as eleições de 2026 terão uma participação decisiva das mulheres na definição dos rumos da política sergipana.

Entre os nomes mais destacados está a deputada Yandra Moura (União Brasil), hoje reconhecida como a parlamentar mais votada do Estado. Sua atuação na Câmara tem sido consistente, com participação ativa em projetos, relatorias e emendas de impacto nacional. Herdando o capital político de seu pai, André Moura, mas construindo também um perfil próprio de liderança, Yandra desponta como nome praticamente garantido na reeleição, devendo ampliar ainda mais seu espaço político.

Outro nome de peso é o da deputada Katarina Feitoza (PSD), que tem feito da pauta da segurança pública a sua principal bandeira. Delegada de formação, construiu sua trajetória política com firmeza e conquistou recentemente o apoio antecipado do ex-candidato a prefeito Luiz Roberto (PDT). Essa aliança, no entanto, trouxe repercussões internas no PDT, já que projeta dificuldades para outras lideranças, como Edvaldo Nogueira, que vê sua viabilidade em disputa federal reduzida. O apoio prematuro pode representar tanto um trunfo estratégico como um desgaste futuro, caso o partido precise reorganizar suas forças.

A pré-candidata Priscila Filizola, filha do ex-governador Belivaldo Chagas e esposa do conselheiro José Carlos Filizola, surge como uma aposta da nova geração política. Hoje à frente do SEBRAE/SE, uma instituição relevante no Estado, Priscila aposta na combinação de experiência administrativa e força familiar para se projetar nacionalmente. No entanto, o desafio central será provar se o peso do sobrenome é suficiente para se converter em votos competitivos em escala estadual.

Já Danielle Garcia representa um caso emblemático da política sergipana recente. Com trajetória marcada pela oposição firme a diferentes governos, construiu capital político como figura independente e de discurso contundente. No entanto, sua decisão de se aproximar do governador Fábio Mitidieri fragilizou parte dessa imagem, reduzindo sua base eleitoral histórica. Danielle já demonstrou potencial em disputas majoritárias, como a Prefeitura de Aracaju e o Senado, mas precisará reposicionar sua narrativa se quiser recuperar espaço e se afirmar como alternativa viável na Câmara Federal.

Também merece atenção a candidatura de Gracinha, liderança consolidada em Itaporanga e no interior do Estado. Ex-deputada estadual e ex-prefeita de Itaporanga, mantém forte presença regional e aposta na fidelidade da base para transformar influência local em competitividade federal. O desafio será expandir sua voz para além dos limites municipais, dialogando com um eleitorado mais amplo.

Por fim, Gedalva Umbuabá, atual vice-prefeita de São Cristóvão, entra na disputa com respaldo popular em um dos maiores colégios eleitorais do Estado. Seu desempenho administrativo e o vínculo com a comunidade podem se tornar diferenciais relevantes em um cenário de fragmentação política.

O quadro, portanto, evidencia uma disputa intensa e inédita: nunca as mulheres tiveram protagonismo tão evidente na corrida por vagas na Câmara Federal em Sergipe. Algumas trazem heranças políticas sólidas, outras apostam na força do interior ou no discurso temático de segurança e oposição. O certo é que a eleição de 2026 já se desenha como uma das mais disputadas da história recente, e o peso feminino será determinante no resultado final.

Mais do que nomes, o eleitorado precisará avaliar projetos, coerência política e capacidade de representação. Afinal, a presença feminina crescente na política sergipana só terá sentido pleno se acompanhada de atuação efetiva em Brasília, capaz de refletir os interesses do Estado com firmeza e responsabilidade.

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