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VLT de Sergipe: muita promessa, nenhum trilho

A promessa do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) voltou à cena política sergipana, mas continua faltando o principal: sair do papel. Tudo ganhou força em maio, quando Lula, após uma conversa envolvendo Fábio Mitidieri e o ministro dos Transportes durante um deslocamento de helicóptero, anunciou o empreendimento. O presidente chegou a afirmar que o projeto estava pronto e que os recursos seriam liberados em breve. Passaram-se quase cinco meses, a eleição terminou e o VLT continua sem obras autorizadas. Pelo visto, a promessa voou de helicóptero, mas ainda não encontrou pista para aterrissar.

O governador Fábio Mitidieri apresentou um sistema de aproximadamente 40 quilômetros, ligando Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Laranjeiras, com investimento estimado em R$ 600 milhões. Em setembro, afirmou esperar que a obra se tornasse realidade em dois anos. O problema é que o governo ainda precisa demonstrar publicamente se existe projeto executivo concluído, orçamento definitivo, estudos de viabilidade e cronograma oficial. Uma obra dessa dimensão não pode depender apenas da confiança do governador e da boa vontade do presidente. Transporte público se faz com planejamento, dinheiro assegurado e engenharia, não com discursos eleitorais.

É verdade que, em 3 de julho, os governos estadual e federal assinaram um Acordo de Cooperação Técnica. Houve, portanto, um avanço administrativo. Mas o próprio instrumento não assegura transferência imediata de recursos nem autoriza o início das obras. Eis a diferença entre propaganda e realidade: uma coisa é anunciar R$ 600 milhões, outra é demonstrar onde está o dinheiro e quando será aplicado. O governo deveria apresentar os documentos, esclarecer o aproveitamento da ferrovia existente e explicar quem pagará a manutenção do sistema. Afinal, o contribuinte tem direito de saber se está diante de um empreendimento viável ou de mais uma promessa de campanha com passagem só de ida.

O VLT seria importante para milhares de trabalhadores que enfrentam diariamente os problemas de mobilidade da Grande Aracaju. Justamente por isso, não merece ser tratado como peça publicitária. Fábio Mitidieri precisa trocar as projeções por documentos e os anúncios por prazos verificáveis. Lula prometeu, o governador comemorou e os sergipanos continuam esperando. Ninguém está exigindo que um sistema ferroviário seja construído da noite para o dia. O que se cobra é transparência sobre o que realmente existe. Porque, até agora, o VLT de Sergipe corre muito bem nos discursos, mas permanece rigorosamente parado nos trilhos da realidade.

Aracaju dividida. A eleição presidencial atravessou a Câmara de Aracaju. Lúcio Flávio, Pastor Diego e Levi Oliveira apareceram na articulação favorável a Flávio Bolsonaro; Iran Barbosa integrou a mobilização por Lula. O segundo turno põe vereadores em trincheiras diferentes e deixa uma pergunta: como essas escolhas repercutirão na política municipal?

Lúcio na articulação. O vereador Lúcio Flávio assumiu publicamente a defesa da articulação conservadora em Sergipe. Ao citar nomes de apoiadores do presidenciável do PL, buscou mostrar amplitude do grupo. A lista impressiona; o desafio agora é transformar declarações em mobilização verificável, sem confundir fotografia de palanque com resultado de urna.

Pastor no palanque. O vereador Pastor Diego participou do encontro da Federação União Progressista na sexta-feira. O evento explicitou seu alinhamento com Flávio Bolsonaro no segundo turno. A participação não altera o mandato municipal, mas reforça como a campanha nacional passou a ocupar também o espaço político da Câmara de Aracaju.

Levi entra no jogo. Levi Oliveira também marcou presença no ato da Federação União Progressista, na Coroa do Meio. A reunião reuniu parlamentares e dirigentes em torno de Flávio Bolsonaro. No Legislativo municipal, o apoio presidencial virou uma sinalização pública de posicionamento, mesmo quando o eleitor cobra respostas muito mais próximas de casa.

Iran com Lula. Iran Barbosa participou da plenária suprapartidária que reuniu representantes do campo favorável a Lula em Sergipe. O vereador do PSOL aparece no lado oposto ao de colegas da Câmara de Aracaju. A disputa nacional reorganiza os discursos locais; será interessante observar se a divergência eleitoral se converte em tensão legislativa.

Emília se posiciona. A prefeita Emília Corrêa foi identificada entre as lideranças que declararam apoio a Flávio Bolsonaro. É uma escolha eleitoral legítima, mas sujeita ao escrutínio político. A população pode distinguir duas avaliações diferentes: a preferência da prefeita para Brasília e os resultados concretos que sua administração entrega em Aracaju.

Ricardo na estrada. O vice-prefeito Ricardo Marques intensificou sua atuação na campanha de Flávio Bolsonaro. Depois de participar de mobilização em Itabaiana com Alfredo Gaspar, divulgou ações para ampliar a presença do grupo no estado. Seu protagonismo eleitoral cresceu; a próxima medida é aferir o alcance real dessas iniciativas, para além das redes sociais.

André mantém pontes. André Moura oficializou na sexta o apoio da Federação União Progressista a Flávio Bolsonaro, mas declarou mantida a aliança com Fábio Mitidieri. A engenharia é típica de uma política em que alianças estaduais e presidenciais nem sempre coincidem. Resta saber como a convivência entre projetos concorrentes funcionará depois das urnas.

Laércio convoca. O senador Laércio Oliveira pediu mobilização para Flávio Bolsonaro durante o ato de sexta-feira em Aracaju. O discurso priorizou emprego e desenvolvimento, temas de alcance nacional. A cobrança objetiva é simples: quais propostas, investimentos e compromissos específicos a campanha apresenta para Sergipe? Apoio partidário precisa vir acompanhado de agenda pública.

Deputados presentes. Yandra Moura, Gustinho Ribeiro e o deputado federal eleito Capitão Samuel participaram do encontro da Federação União Progressista. A presença de representantes com mandatos e projeção eleitoral evidencia a dimensão da articulação. Também aumenta a expectativa por manifestações claras sobre os temas que afetam o estado, além da preferência presidencial.

Fábio e os aliados. Representante do governador Fábio Mitidieri participou da articulação suprapartidária favorável a Lula, enquanto André Moura reafirmou aliança estadual com o governador e apoio federal a Flávio. O desenho revela uma base heterogênea. A eleição nacional testa a capacidade de governar com aliados que pedem votos para candidatos opostos.

Rogério mobiliza. O senador Rogério Carvalho integrou a articulação estadual pró-Lula citada em reportagem de sexta-feira. A frente reuniu PT e outras siglas de esquerda e centro-esquerda, buscando unidade na reta final. Agora a avaliação precisa sair do número de partidos presentes e chegar ao número de ações públicas efetivamente realizadas em Sergipe.

Edvaldo reaparece. O ex-prefeito Edvaldo Nogueira participou da reunião de apoiadores de Lula, ao lado de Jackson Barreto e outras lideranças. O encontro recolocou nomes conhecidos da política sergipana no debate presidencial. Participar de plenária é o primeiro movimento; o peso político de cada adesão dependerá da capacidade de conversar com o eleitorado.

Alessandro neutro. A neutralidade anunciada pelo senador Alessandro Vieira em 14 de outubro seguiu relevante no debate do fim de semana. Em contraste com as mobilizações dos dois campos, o senador recusou endossar qualquer candidatura. É uma posição que afasta a obrigação do palanque, mas não o dispensa de discutir propostas e consequências para Sergipe.

Votos em disputa. A reportagem publicada na sexta registrou Lula com 62,75% dos votos de Sergipe no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 30,63%. Aracaju, Frei Paulo e Itabaiana apresentaram percentuais relativamente maiores para Flávio. São dados históricos do primeiro turno, não uma previsão do segundo. A disputa agora é mobilizar os eleitores para 25 de outubro.

Adutora sob pressão. Um vazamento na adutora reduziu o abastecimento da Grande Aracaju no sábado. A Deso informou depois a conclusão do serviço e a retomada gradual da distribuição. O episódio devolveu à agenda pública um problema familiar: infraestrutura essencial não pode ser avaliada apenas pela velocidade de reparo, mas também pela prevenção e pela informação aos consumidores.

Precatórios na conta. O acordo direto para precatórios do Estado e da Deso segue com inscrições até 22 de outubro. A divulgação informa deságio de 40%, condição que merece atenção redobrada dos credores. O TJSE e o governo devem oferecer dados acessíveis sobre montantes disponíveis, critérios e impacto financeiro. A pressa por receber não substitui uma decisão bem informada.

Saúde sob investigação. A operação Dirus, deflagrada em 14 de outubro pela PF e CGU, permaneceu como pauta relevante de cobrança no fim de semana. A investigação apura suspeitas envolvendo R$ 15,6 milhões da saúde em Sergipe e prevê bloqueio patrimonial nesse limite. Investigação não é condenação. O interesse público exige identificar contratos, responsáveis e providências administrativas.

Escala na agenda. A promulgação da emenda sobre o fim da escala 6×1 apareceu na cobertura de sexta-feira e levou a pauta trabalhista ao centro do segundo turno. Para o trabalhador sergipano, o essencial não é apenas o discurso dos candidatos, mas o texto efetivo da mudança, suas regras de transição e a fiscalização. O debate pede números, não slogans.

Sérgio Reis vai às ruas por Lula. O prefeito de Lagarto, Sérgio Reis, participou na sexta-feira (16) de uma caminhada pela reeleição de Lula, ao lado de estudantes da UFS e do IFS. A mobilização levou a disputa presidencial ao município e mostrou o gestor participando diretamente da campanha. A movimentação foi noticiada no sábado (17).

Ibrain acompanha a juventude. O deputado estadual reeleito Ibrain de Valmir também participou da caminhada de sexta-feira, em Lagarto. Destacou a participação dos jovens e os investimentos federais em Sergipe. A fala sinaliza seu engajamento na reta final da campanha de Lula e oferece um compromisso político que poderá ser cobrado depois das urnas.

Alex Melo leva saúde à pauta. A Lei 6.239/2025, de autoria do vereador Alex Melo, que inclui o “Outubrinho Rosa” no calendário de Aracaju. A campanha é voltada à saúde de meninas e adolescentes. O desafio agora é transformar a previsão legislativa em ações e atendimentos efetivos.

Nikolas tem agenda em Aracaju. Confirmada a visita do deputado federal Nikolas Ferreira à capital sergipana, prevista para terça-feira (20), no Iate Clube. O “Bloquinho do 22” é parte da mobilização pela candidatura de Flávio Bolsonaro. O anúncio é confirmado; a realização do evento ainda é futura.

Porto da Folha prepara nova eleição. A corrida municipal de Porto da Folha entra na semana decisiva. O TRE-SE marcou a eleição suplementar para domingo (25), juntamente com o segundo turno presidencial. A propaganda e as movimentações dos grupos municipais passam a disputar as atenções do eleitorado, com prazo para substituições até quinta-feira (22), conforme as regras eleitorais.

Ponte altera rotina da capital. O avanço da obra da Ponte Godofredo Diniz, entre os bairros 13 de Julho e Coroa do Meio, provocou mudanças no trânsito anunciadas para domingo (18). A Prefeitura de Aracaju precisa assegurar informação clara sobre bloqueios e alternativas. Obra pública não se mede apenas por concreto, mas também pelo transtorno que consegue evitar.

Emília coloca plano urbano em debate. Aracaju ganhou destaque o Plano de Macroestruturação Urbana e Ambiental lançado pela prefeita Emília Corrêa no dia 14. A proposta integra a revisão do Plano Diretor e inclui mobilidade e gestão de riscos. O passo político é relevante; a cobrança será por participação popular e metas verificáveis.

Prefeitos olham para o caixa. Os repasses do Fundo de Participação dos Municípios a Sergipe chegaram a cerca de R$ 344,1 milhões em setembro, segundo dados divulgados na sexta-feira (16). O crescimento real foi de 14,4% ante setembro de 2025. O dado interessa diretamente aos prefeitos: recursos maiores pedem planejamento, prestação de contas e resultados.

Lagarto ganha destaque no SUS. Sergipe passou de 134 residentes com bolsas financiadas pelo Ministério da Saúde, em 2022, para 573 em 2026. Os dados foram apresentados no Hospital Universitário de Lagarto. Para a política regional de saúde, interessa saber quantos profissionais permanecerão atendendo a população depois da formação.

Acessibilidade cobra resultados. A secretária Camilla Feitosa apresentou iniciativas de acessibilidade da Prefeitura de Aracaju durante encontro nacional de engenharia. O debate incluiu obstáculos físicos, comunicacionais e de atendimento. É uma agenda de governo que precisa ultrapassar os painéis e aparecer nas calçadas, nos ônibus e nos serviços municipais.

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