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Boicote: o fósforo do PT e o incêndio da hipocrisia

O Brasil transformou o boicote numa disputa de figurino: com a camisa certa, vira consciência social; com a camisa adversária, vira atentado à democracia. Em Davos, em 2023, Fernando Haddad explicou que observava de quem comprava e disparou: “Eu não compro nem um palito de fósforo” de empresa sem compromisso com determinadas questões. Imagine o ministro interrogando o fósforo sobre sua ideologia! Em 2024, o ex-presidente do PT José Genoino também defendeu boicotes, inclusive mencionando empresas de judeus, fala repudiada pela Confederação Israelita do Brasil como antissemita. Escolha de consumo é liberdade; discriminação religiosa, não. Mas a memória política merece funcionar dos dois lados do balcão.

Agora que setores da direita anunciam boicotes, o debate pega fogo e Haddad, especialista em fósforos, conhece o assunto! Quem critica essa prática tem direito de fazê-lo; o que não cabe é fingir que o instrumento nasceu ontem. Em Sergipe, cada consumidor decide onde comprar, sem intimidação ou discriminação. Afinal, o caixa do supermercado já confere CPF, cupom e cartão; falta só alguém exigir certidão ideológica do tomate! O comerciante, que precisa pagar folha e aluguel, merece menos patrulha partidária e mais freguês. O boicote pode ser discutido; a régua moral não deveria mudar conforme o autor.

Enquanto as torcidas fiscalizam sacolas, o bolso recebe notícias menos engraçadas. A reforma tributária traz a CBS, cuja alíquota de referência foi calculada pelo TCU em cerca de 11,35%, sujeita às etapas legais; isso não significa aumento automático igual em todos os preços. Compras internacionais exigem explicações claras. No diesel, subsídios temporários e oscilação de preços afetam o frete: quando o caminhão paga mais, a conta pode chegar à feira do sergipano. Na energia, projeções para 2027 preocupam, mas ainda não são a tarifa definitiva. Brasília adora dizer “simplificação”; o pequeno empresário olha o boleto e pergunta se o imposto também aprendeu a fazer mágica.

Bolsa Família, escala 6 por 1 e apoio ao microempreendedor viraram combustível para promessas que não serão cumpridas novamente. É preciso cobrar regras e orçamento sem inventar cortes nem preços futuros. A Gol anunciou ajustes em rotas, inclusive na conexão Salvador–Aracaju, lembrando que decisões econômicas têm consequências concretas. E você, leitor sergipano: acha legítimo escolher o comércio por convicção política? Vale igualmente para simpatizantes do PT e para opositores? A ironia final é simples: o fósforo da declaração de Haddad ainda acende uma discussão enorme. Só falta a classe política parar de brincar com fogo enquanto o cidadão paga a conta.

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