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Câmara em dia de clássico: Byron na braçadeira, gols de anúncios e cartões para o executivo

O plenário da Câmara de Aracaju, nesta quarta-feira, parecia mais um estádio em dia de clássico, cada vereador com sua posição em campo, suas jogadas ensaiadas e, claro, suas divididas de efeito. Do lado da “linha de frente”, Sargento Byron (MDB) e Vinícius Porto (PDT) puxaram a torcida para o bairro Areia Branca, comemorando obras milionárias como se fossem gols no último minuto, com direito a promessa de pavimentação, drenagem e até esgotamento sanitário para 86 ruas. No meio-campo político, Bigode do Santa Maria (PSD) transformou o microfone em sanfona para agradecer aliados e celebrar o São João do Povo, enquanto Camilo Daniel (PT) deu cartão vermelho à gestão do transporte público, chamando de “gol contra” a compra de ônibus sem licitação robusta.cMas a partida não parou no Grande Expediente: as CPIs entraram em campo com Byron assumindo a braçadeira de capitão na investigação dos R$ 135 milhões das multas da SMTT e Isac Silveira (União Brasil) acendendo os refletores sobre os R$ 10 milhões do Natal Iluminado — prometendo farol alto em cada contrato suspeito.

No Pequeno Expediente, o jogo virou mais fragmentado, com lances rápidos e para todos os gostos: Iran Barbosa (PSOL) em tom de professor, homenageando o Instituto Histórico e defendendo a infância; Lúcio Flávio (PL) assumindo o papel de detetive das contas e prometendo que as CPIs vão “trazer luz” ao que foi escondido; Maurício Maravilha (União Brasil) mostrando vídeo de obra e pedindo finalização; Pastor Diego (União Brasil) levando a prefeita a uma praça esquecida para anunciar reforma; Sônia Meire (PSOL) voltando de conferência com propostas sociais e denúncia de negligência neonatal; Ricardo Vasconcelos (PSD) exigindo mais faixas nas vias e limpeza dos mangues; Thannata da Equoterapia (Mobiliza) reagindo contra a MP 1296 que afeta pessoas com deficiência; e Anderson de Tuca (União Brasil) sacando a raquete para falar do campeonato mundial de beach tennis que agita a cidade. Foi um dia de sessão que misturou goleadas de anúncios, dribles retóricos, marcação pesada e alguns chutes diretos ao gol do Executivo, deixando claro que, na Câmara, a temporada política está só no primeiro tempo.

Grande Expediente

Sargento Byron (MDB) entrou em campo com uniforme de atacante e apito de árbitro. De um lado, comemorou as obras no bairro Areia Branca — UBS nova, pavimentação, drenagem e esgoto em 86 ruas. Tudo fruto de empréstimos com o BRICS e articulação de legislatura passada. Do outro, pediu “jogo limpo” entre partidos para atrair investimentos. E não parou por aí: mesmo sendo base da prefeita Emília Corrêa, avisou que continuará cobrando como aquele zagueiro que não larga o atacante adversário nem no vestiário.

Vinícius Porto (PDT) celebrou a ordem de serviço de R$ 76 milhões para obras no Areia Branca como quem comemora gol no último minuto. Lembrou que ajudou a transformar povoados em bairros, exaltou o potencial turístico da Orla Pôr do Sol e pediu atenção para infraestrutura completa: pavimento, drenagem e sinalização. Como camisa 10 da pauta econômica, citou as 542 vagas abertas pelo Governo do Estado e disse que capacitação profissional é o passe certo para marcar no mercado de trabalho.

Bigode do Santa Maria (PSD) estaria na final. No microfone, agradeceu de A a Z: governador Fábio Mitidieri, prefeita Emília Corrêa, André Moura, deputado Jorginho Araújo, Emsurb (Bertulino Menezes e Hugo Esoj), Nitinho Vitale e empresas parceiras. Mostrou imagens do São João do Povo, exaltou o público e disse que a paz e a alegria da noite ajudaram a valorizar o bairro. Foi mais animado que sanfoneiro no meio da praça.

Camilo Daniel (PT) foi o técnico que não poupa palavras na coletiva. Criticou a gestão do transporte público, lembrou que a mobilidade foi promessa central na eleição e disse que a oposição (incluindo ele) levou a pauta até o Ministério Público contra a licitação. Segundo Camilo, cancelar o processo e pegar empréstimo para comprar ônibus sem licitação decente foi gol contra. Resultado: sistema segue travado, com ônibus demorando mais que processo em segredo de justiça.

CPIs

Sargento Byron veste a braçadeira de capitão da . A missão: investigar o destino de R$ 135 milhões arrecadados com multas entre 2017 e 2024. Na equipe: Pastor Diego (relator), Soneca, Sávio Neto de Vardo e Fábio Meireles. Suplentes: Sônia Meire e Lúcio Flávio. Byron prometeu primeira reunião já na segunda-feira, com cronograma, requisição de documentos e convocação de gestores. É marcação alta desde o apito inicial.

Isac Silveira (União Brasil), com Breno Garibalde na relatoria. O alvo: saber se os recursos da COSIP foram usados para financiar o evento de 2024, que custou R$ 10 milhões — três vezes mais que no ano anterior. Pela regra, o dinheiro é só para manutenção e expansão da iluminação pública. A comissão tem ainda Miltinho Dantas, Elber Batalha e Vinícius Porto. Suplentes: Thannata da Equoterapia e Camilo Daniel. Se tiver pisca-pisca ligado no lugar errado, vai ser farol alto na investigação.

Pequeno Expediente

Iran Barbosa  começou a sessão como quem entra em sala de aula: homenageou o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe pelos 113 anos e já avisou que vai receber medalha de mérito cultural. Entre uma lembrança e outra da sua primeira escola como professor, ainda parabenizou estudantes premiados pelo MEC e cutucou a pauta da vez: a adultização infantil e a urgência de regulamentar o “recreio” das redes sociais para proteger crianças.

Lúcio Flávio pegou o gancho de Iran, mas seguiu outra trilha: nada de regular rede social, o negócio é punir. Depois, sacou a lupa e foi para cima da gestão passada de Edvaldo Nogueira: Natal Iluminado sem transparência, multas da SMTT sem explicação, pedaladas nas emendas e falhas na educação. Arrematou dizendo que espera que as CPIs tragam luz para o dinheiro sumido. De quebra, comemorou que a UFS cancelou o vestibular que, segundo ele, parecia panfleto ideológico.

Maurício Maravilha subiu ao microfone com vídeo na mão para mostrar obra no Jardim Recreio, em Santa Maria, agradecendo à Emurb. Mas deixou claro que o serviço ainda não acabou e cobrou continuidade. Aproveitou o embalo para puxar o coro pela reestruturação do Plano Diretor da capital. Segundo ele, é o caminho para fazer Aracaju sair do improviso e entrar no projeto.

Pastor Diego levou a prefeita Emília Corrêa até a praça atrás do Ceasa, território que, segundo ele, estava abandonado e tomado por usuários de drogas. Agora, promete: vai ter reforma, bancos, brinquedos e iluminação nova. E em 15 dias a obra começa. Ainda parabenizou pela ordem de serviço em Areia Branca. Pastor saiu do microfone com a sensação de ter feito um “culto de inauguração antecipada”.

Sônia Meire de volta da Conferência Estadual LGBTQIAPN+, trouxe um balaio de propostas para o PPA e reforçou a pauta de proteção dessa população. Depois, anunciou participação num protocolo nacional para leis que garantam gratuidade no transporte para lactantes e salas de amamentação em órgãos públicos. Fechou com denúncia pesada: maternidade Lourdes Nogueira sem atendimento neonatal, deixando bebê de 12 dias na UPA Fernando Franco. Pediu providência urgente da secretaria.

Ricardo Vasconcelos na cadeira de presidente, fez alerta para o futuro: obras precisam ser pensadas para mais faixas e menos engarrafamento. Cobrou também limpeza dos mangues e construção de um Ecoponto na 13 de Julho e no Garcia. “Se o povo joga lixo, o poder público tem que ir lá e limpar” — foi o recado.

Thannata da Equoterapia criticou a aprovação da MP 1296, que, segundo ela, prejudica direitos das pessoas com deficiência. Lembrou da lei estadual que elimina a obrigação de reavaliação para deficiências permanentes e alertou para casos de bloqueio de BPC sem aviso prévio. Perguntou no plenário: “E o amanhã dessas pessoas, quem resolve?”.

Anderson de Tuca agradeceu à prefeita pela liberação das emendas que ajudaram a financiar o campeonato mundial de beach tennis. Mais de mil atletas de 10 estados estão na cidade, movimentando o turismo. Disse que agosto está fraco de eventos, mas que o esporte pode ser o saque certeiro para aquecer a economia.

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