Na sessão da última quarta-feira, dia de 2, os vereadores vestiram azul (literalmente e politicamente) e transformaram o Pequeno Expediente num verdadeiro festival de causas — com destaque absoluto para o autismo, mas com espaço pra tudo: igreja, ditadura, lombada, biblioteca e até crítica ao STF. Teve discurso emotivo, cobrança comedida, aplauso merecido e uma ou outra passada de pano disfarçada de preocupação. A tribuna virou palco, confessionário e palanque — tudo ao mesmo tempo. Resumo do resumo? Uma sessão com mais camadas que cebola de novela mexicana — e com potencial de fazer rir, pensar e cobrar. Porque se é pra ser político, que pelo menos seja com causa, e não só com pose.
Thannata da Equoterapia – Abriu os trabalhos com um cavalo de batalha legítimo: o autismo. Falou sério (com razão) sobre a fila de espera absurda — de até 5 anos — pra consulta com neuro. Disse que Abril Azul não é campanha de um mês só. Deu aula e ainda organizou corrida no domingo. Spoiler: quem quiser apoio, tem que correr atrás — literalmente.
Anderson de Tuca – Subiu na tribuna e correu junto com Thannata (figurativamente, por enquanto). Pediu psicólogo nas escolas e menos preconceito. Um discurso com mais bom senso que muito projeto de lei por aí.
Camilo Daniel: – Falou de cultura (aquela que ainda não tem secretaria), da ditadura (aquela que muita gente insiste em chamar de “movimento”) e ainda ligou os pontos entre 31 de março de 1964 e 8 de janeiro de 2023. Dica dele: assistam “Ainda Estou Aqui”. Dica nossa: ainda estamos sim — de olho.
Fábio Meireles – Parabenizou igreja, pediu lombada, e ainda fez um pit stop no tema do autismo. Pediu ajuda à SMTT — porque só Jesus na causa… mas também o Nelson Felipe.
Iran Barbosa – Trouxe pauta tripla: autismo, bibliotecas escolares e uso de celular em sala de aula. Um combo entre inclusão, leitura e limites digitais. Já pode ser nomeado Ministro da Coerência.
Lúcio Flávio – Veio de terno e gravata azul — não era só fashion statement: era símbolo de respeito ao autismo. Disse que inclusão não é panfleto nem publi no Instagram. Aqui aplaudimos de pé (com roupa azul também, tá?).
Maurício Maravilha – Falou bonito sobre cidade inclusiva e correu pro bairro Santa Maria pra cobrar melhorias. Quer centro de reabilitação e serviços com cobertura maior. Está quase virando agente de saúde com mandato.
Miltinho Dantas – Fez o combo “autismo, lombadas e futebol”. Pediu estudo técnico na Passarela do Caranguejo (onde ocorreu acidente fatal) e parabenizou o Confiança pelo bi. Tá jogando nas 11.
Pastor Diego – Começou parabenizando a turma do autismo, mas depois entrou em modo denúncia: pacientes com doenças neuroimunológicas estão sem atendimento no Hospital Universitário. Finalizou com crítica à decisão do STF. Teve tudo: saúde, fé e fogo cruzado político.
Sônia Meire – Jogou a real: 70% dos estudantes com deficiência na rede municipal são autistas — e sem mediadores em sala. Pediu concurso público e lembrou: o autismo não some na maioridade. Proposta dela? Educação pra todos. Realidade? Ainda em modo beta.
Enfim, foi azul, foi intenso, foi necessário. Entre parabenizações religiosas, denúncias sérias e pedidos por lombadas e bibliotecas, o autismo dominou a pauta e mostrou que, quando a política quer, ela até acerta. Falta transformar discurso em ação. Mas pra isso, vai precisar mais do que microfone ligado e palmas de colega: vai precisar compromisso no papel e orçamento aprovado




