Carla Zambelli sempre foi notícia. Ora por perseguições armadas nas ruas de São Paulo, ora por discursos inflamados contra o STF, ora por teorias da conspiração recicladas em suas redes sociais. Mas agora o barulho deu lugar ao silêncio das grades italianas. Condenada no Brasil, foragida na Europa e encurralada pela Justiça, a ex-deputada bolsonarista virou personagem de um roteiro que mistura deboche, irresponsabilidade e tragédia política.
Condenações que desmontaram a musa bolsonarista
O ponto de virada foi duplo. Primeiro, o STF cravou 10 anos de prisão contra Zambelli por envolvimento no hack ao sistema do CNJ. A manobra incluía nada menos que um mandado de prisão falso, supostamente assinado por Alexandre de Moraes, articulado com o hacker Walter Delgatti Neto.
Poucas semanas depois, veio a segunda pancada: 5 anos e 3 meses em regime semiaberto por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. O caso, claro, é aquele clássico que correu o mundo: Zambelli correndo armada atrás de um eleitor de Lula na véspera da eleição de 2022, nos Jardins. Cena de filme B, mas com consequências reais.
Para completar, o TRE-SP cassou seu mandato e carimbou sua inelegibilidade por oito anos. De musa da extrema direita a ficha-suja em tempo recorde.
A fuga cinematográfica para a Itália
Com a Justiça brasileira batendo à porta, Zambelli decidiu dar seu show particular. Cruzou a fronteira pela Argentina e anunciou ao mundo, em vídeo, que estava fora do Brasil. A deputada alegou dupla cidadania e jurou que na Itália seria “intocável”.
A Procuradoria-Geral da República não achou graça: pediu sua prisão preventiva, bloqueou contas bancárias e acionou a Interpol. A cena de bravata virou humilhação quando, em julho de 2025, Zambelli foi presa em Roma, escondida em um apartamento.
Tentou vender a versão de que se entregou voluntariamente. Mas a polícia italiana, a PF e até um deputado europeu trataram de desmentir a fábula.
Justiça italiana fecha o cerco
A defesa jogou a cartada do “problema de saúde”. Não colou. A Corte de Apelação de Roma manteve a prisão preventiva, alegando risco real de fuga. Afinal, a parlamentar já havia tentado mudar de residência para despistar as autoridades.
O recado foi direto: não adianta choro, a Itália não vai virar esconderijo de bolsonarista condenado. Agora, a novela caminha para a extradição.
Zambelli, o retrato da contradição
O currículo judicial da ex-deputada é extenso: multas por fake news, indenizações por ataques pessoais, cassação por disseminação de desinformação e investigações em tramas golpistas. A cada episódio, ela cavou mais fundo o próprio buraco.
Hoje, Zambelli não representa mais a “guerreira da direita”. Representa a ironia da história: uma parlamentar que defendia a “lei e a ordem” terminou presa por ilegalidades múltiplas.
E você, leitor: a queda de Carla Zambelli é uma tragédia anunciada ou apenas o destino natural de quem sempre viveu no fio da mentira? Comente, compartilhe e ajude a levar esse debate adiante.
Fontes principais
El País, UOL, Metrópoles, Brasil de Fato, Justiça Italiana




