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Chapa estadual do MDB: medalhões, apostas e quociente

O MDB apresentou 21 candidatos a deputado estadual e agora espera que a matemática faça aquilo que fotografia de convenção não consegue: transformar quantidade em voto. A chapa tem nomes fortes, candidaturas regionais, estreantes promissores e alguns personagens cuja principal contribuição poderá ser impedir que a nominata pareça uma reunião de condomínio com cadeiras vazias. Tomando como referência os 1.216.425 votos válidos de 2022, quando o quociente ficou perto de 50,7 mil votos, o MDB entra com capacidade razoável para eleger dois deputados estaduais. A terceira cadeira existe, mas mora no andar de cima, exige aproximadamente três quocientes e não desce para abrir a porta só porque o partido tocou a campainha. Dois mandatos são uma projeção consistente. Três constituem o teto possível, desde que os chamados nomes de peso façam peso de verdade, e não apenas nas fotografias da convenção.

Garibalde Mendonça é o seguro de vida da chapa. Perdeu a Prefeitura de Aracaju em 1996, mas, desde 1998, venceu sete eleições consecutivas para deputado estadual e agora tenta o oitavo mandato. Não é candidato que aprende política em curso on-line nem descobre o interior pelo GPS: conhece as estradas, os prefeitos, as lideranças e, principalmente, a arte sergipana de atravessar governos sem perder o endereço da Assembleia. Gilson Andrade também chega com lastro: foi deputado estadual por duas vezes e prefeito de Estância por dois mandatos, carregando uma base eleitoral importante no Centro-Sul. Fábio Henrique fecha o trio com um currículo que não cabe num santinho: foi eleito vereador de Aracaju em 2004 com 6.672 votos, tornou-se prefeito de Nossa Senhora do Socorro em 2008 com 39.227 votos e foi reeleito em 2012 com 41.194. Em 2018, conquistou uma cadeira de deputado federal com 35.226 votos; em 2022, recebeu 28.171 votos, ficou como primeiro suplente e voltou à Câmara entre julho e novembro de 2024, atuando, assim, em duas legislaturas, uma como titular e outra como suplente. Ainda disputou novamente a Prefeitura de Socorro em 2020, quando obteve 23.912 votos. Os três têm currículo, estrutura, voto comprovado e memória eleitoral. O problema é que currículo não aperta tecla na urna, mandato antigo não se transfere por Pix e eleitor não é patrimônio político registrado em cartório.

Danielle Garcia é o maior ponto de interrogação da nominata. Em 2020, recebeu 55.973 votos no primeiro turno para prefeita de Aracaju e 109.864 no segundo. Em 2022, alcançou 206.135 votos para o Senado. Dois anos depois, voltou à disputa municipal e terminou com 16.769 votos, na quinta posição. A queda foi objetiva, abrupta e politicamente incômoda. Danielle ainda possui conhecimento público, mas sua campanha precisa provar que não virou uma marca conhecida procurando consumidor. Antônio de Juca de Bala surge no extremo oposto: não possui votação própria anterior, mas traz a força política do pai, prefeito de Laranjeiras, e apareceu em quinto lugar numa pesquisa CTAS registrada sob o número SE-01952/2026. Pode transformar-se em importante agregador de votos do MDB, embora sobrenome abra porteira, não urna. Felipe Cortes de Menezes chega com atuação na advocacia, mas sem musculatura eleitoral testada. Givaldo Garção já disputou eleição e possui referência municipal, porém terá de sair da política de CEP para alcançar uma votação estadual.

Depois vêm José Luciano Mendonça Morais, Jeilson Souza Santos, Gabriel Vinícios Mendonça Teles, Idailino Souza, Marcos Farias Correa e Jorge Santos Gomes. Professor Luciano pode dialogar com o setor educacional. Jeilson, o Jejê Produções, terá de demonstrar que produção política rende mais votos do que produção de eventos. Gabriel Teles chega como nome novo, o que na política pode significar renovação ou apenas ausência de prontuário eleitoral. Idailino possui trajetória partidária, mas precisa converter experiência de bastidor em voto de cabine. Pastor Marcos e Apóstolo Jorge apostam no eleitorado religioso, terreno em que muita gente anuncia multidões no culto e descobre, na apuração, que parte dos fiéis levou a fé, mas esqueceu o número. Nenhum deles deve ser desprezado. Também nenhum pode ser promovido antecipadamente a fenômeno só porque apareceu sorrindo ao lado de uma liderança. Eleição proporcional é o lugar onde todo candidato começa dizendo que tem dez mil votos e termina culpando o aplicativo da Justiça Eleitoral.

Na ala feminina, Mariana Dantas possui experiência administrativa no esporte, mas enfrentará o desafio clássico de transformar relações institucionais em votos nominais. Ana Lúcia dos Santos, Vânia Oliveira Lima, Clarissa Marques Santos França, Maria Luiza, Cleonice de Sousa, Fábia Valadares e Rosângela Rosa Reis completam uma nominata cuja diversidade no papel ainda precisa virar presença real nas ruas. Vânia tenta mobilizar a área da enfermagem. Clarissa chega pela advocacia. Maria Luiza e Cleonice ainda precisam tornar seus nomes políticos mais conhecidos que seus nomes de batismo. Fábia Valadares carrega experiência eleitoral municipal. Rosângela já enfrentou as urnas, mas ainda sem votação que autorize fogos de artifício. São candidaturas que podem somar votos importantes para o partido, mas devem evitar o velho papel reservado às mulheres e aos nomes menos estruturados: preencher a lista, sorrir na convenção e depois assistir aos medalhões usando o quociente construído coletivamente. A legislação exige mulheres na chapa. A dignidade política exige que elas também recebam estrutura, recursos e espaço.

O MDB, portanto, não montou uma chapa inútil. Montou uma chapa desigual. Há veteranos com voto comprovado, um herdeiro municipal em ascensão, uma candidata conhecida tentando interromper uma curva descendente, profissionais respeitados estreando na política e candidatos que ainda precisam apresentar ao eleitor algo além do nome na relação do partido. Duas cadeiras são plenamente defensáveis como projeção. Três são possíveis, mas dependerão de Garibalde manter sua regularidade, Gilson reativar Estância e o Centro-Sul, Fábio Henrique recuperar Socorro, Danielle reencontrar parte do eleitorado perdido e Antônio Bala transformar a força do pai em votação estadual própria. A nominata tem motor para duas vagas e combustível eventual para a terceira. Mais do que isso seria milagre. Menos do que isso seria incompetência. No MDB, como sempre, a diferença entre uma coisa e outra costuma ser explicada depois da eleição, de preferência durante um almoço em que ninguém aceita pagar a conta.

Uma resposta

  1. A política sergipana precisa de renovação, compromisso e pessoas verdadeiramente preparadas para representar a população. Acredito que o Professor Luciano Mendonça reúne essas qualidades. Além de ser um excelente gestor público, demonstra experiência, responsabilidade e dedicação ao serviço prestado à sociedade. Na minha opinião, é um nome que merece ser considerado para uma cadeira na Assembleia Legislativa, representando uma política mais séria, transparente e comprometida com o desenvolvimento de Sergipe.

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