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Justiça racial volta à pauta em Sergipe com a 5ª Conferência Estadual

Depois de oito anos de espera, Sergipe retomou oficialmente a Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial. A 5ª edição do evento foi realizada no dia 21 de agosto de 2025, no auditório do Ministério Público de Sergipe, em Aracaju, e reuniu lideranças sociais, representantes do governo e membros de comunidades tradicionais para discutir democracia, justiça racial e reparação.

Representatividade em destaque

Organizada pela Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic), em parceria com a Comissão Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPIR-SE), a conferência marca a volta de um espaço importante de diálogo entre o poder público e a sociedade civil. Em pauta: o enfrentamento ao racismo estrutural, o fortalecimento de políticas públicas voltadas a populações negras, quilombolas, ciganas e de religiões de matriz africana, além da promoção de equidade nas instituições.

Durante o encontro, foram eleitos 29 delegados que representarão Sergipe na etapa nacional: 24 da sociedade civil e cinco representantes do poder público. A escolha seguiu o Regimento Nacional da Conferência de Promoção da Igualdade Racial.

Presenças e discursos

O governador Fábio Mitidieri participou da abertura e destacou a importância de políticas públicas que enfrentem desigualdades raciais. Em sua fala, reforçou o compromisso da gestão com a escuta ativa e a construção conjunta de soluções: “Não posso dizer que sinto a dor de vocês, mas tenho a obrigação de ouvir, compreender e trabalhar para mudar essa realidade”.

A secretária da Seasic, Érica Mitidieri, também ressaltou a relevância do evento como ferramenta para pactuar ações concretas: “É uma retomada importante, um momento de escuta qualificada e de reafirmação do nosso compromisso com a equidade racial”.

A diretora de Articulação Interfederativa do Ministério da Igualdade Racial, Isadora Bispo, representou o governo federal no evento, reforçando o apoio da ministra Anielle Franco e do presidente da República. Ela ressaltou a importância da descentralização das políticas antirracistas e do fortalecimento da articulação entre os entes federativos.

Também participaram lideranças religiosas, parlamentares, representantes de movimentos sociais, além de membros do Ministério Público e da Defensoria Pública do Estado, que destacaram a necessidade de garantir proteção e visibilidade às comunidades tradicionais e a valorização da diversidade cultural e religiosa.

Eixos temáticos em debate

Com base no tema central “Por um Brasil sem racismo, reparação e democracia”, a conferência estadual discutiu três eixos principais:

  • Enfrentamento ao racismo estrutural e institucional;
  • Educação para as relações étnico-raciais e garantia de direitos;
  • Controle social, participação política e fortalecimento das organizações da sociedade civil.

Os debates resultaram na formulação de propostas que serão levadas à Conferência Nacional, prevista para os próximos meses.

Ações em andamento

A realização da conferência é parte de um conjunto de iniciativas já em curso em Sergipe. Em 2024, o estado aderiu ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) e criou o Comitê de Equidade Racial e de Gênero na Secretaria de Estado da Educação. Também foi implantado o Protocolo Antirracista nas escolas públicas.

No primeiro semestre de 2025, 184 unidades escolares da rede estadual receberam o Selo Educação Antirracista Professora Maria Beatriz Nascimento, como forma de incentivar o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, conforme prevê a legislação.

Além disso, comunidades tradicionais passaram a ser incluídas no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), houve o fortalecimento de campanhas como o Novembro Negro e o Abril Verde, e o relançamento do programa Mão Amiga Mangaba, que oferece apoio financeiro durante o período de entressafra a trabalhadores e trabalhadoras do extrativismo.


A conferência mostrou que justiça racial exige mais do que discursos: requer escuta, ação e compromisso de todas as esferas. E aí, na sua cidade, esse debate está avançando ou travado? Comente e compartilhe essa matéria com quem também acredita em igualdade de oportunidades.


Fontes Principais

  • Governo de Sergipe
  • Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic)
  • Comissão Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPIR-SE)

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