Quando o jogo político vira guerra declarada, quem perde é o povo
Quem olha de fora pode até pensar que a gestão municipal de Aracaju virou um ringue: de um lado, a prefeita Emília Corrêa; do outro, a Câmara de Vereadores, com Ricardo Vasconcelos no centro do combate. O que deveria ser uma relação de fiscalização e cooperação virou uma disputa de narrativas, notas de repúdio e ataques velados — ou nem tão velados assim.
“Gabinete do ódio” à moda sergipana
Ricardo Vasconcelos, presidente da Câmara, não economizou nas palavras: acusou a comunicação da Prefeitura de operar um verdadeiro “gabinete do ódio”. Segundo ele, os alvos seriam justamente os vereadores que ousam criticar a gestão municipal. A estratégia? Desqualificar os discursos, atacar a credibilidade e transformar divergência em afronta pessoal.
Não estamos falando de memes em WhatsApp, mas de um suposto uso da máquina pública para desacreditar o Parlamento. Isso num cenário onde a transparência e o diálogo deveriam ser prioridade.
Vereador crítico é “do foro errado”?
O clima azedou ainda mais quando a prefeita, num de seus pronunciamentos, afirmou que certos vereadores estavam “no foro errado” ao fazerem críticas. Como assim, prefeita? O plenário da Câmara não é justamente o palco para isso? Fiscalizar, questionar, propor… Ou agora é proibido incomodar o Executivo?
O recado foi claro: quem discordar vai ser enquadrado. A democracia, nesse cenário, vira decoração institucional.
Fake news ou tentativa de silenciamento?
Outro ponto sensível da briga: quando o vereador Fábio Meireles denunciou a falta de médico na UBS Tamandaré, a resposta da Prefeitura foi rotular a crítica como fake news. O problema? A população confirmou o fato. Mas quem ousa desafiar a narrativa oficial é logo carimbado como mentiroso.
Vasconcelos não deixou barato: disse que a Prefeitura está mais interessada em proteger a imagem do que resolver os problemas reais. E olha que não estamos falando de fuxico de esquina, mas de um serviço básico que faltou.
Pressão por votação rápida: o Legislativo não é cartório
Em abril, veio outro estalo: a prefeita cobrou rapidez na votação do projeto que criaria a Secretaria de Cultura. A resposta de Vasconcelos? “Nada é feito na pressão”. E está certo. O papel do Legislativo é analisar, debater, ouvir especialistas e votar com responsabilidade. Não é carimbar projeto para agradar o Executivo.
Essa pressa toda tem cheiro de oportunismo político ou medo do contraditório?
Quando a briga institucional trava a cidade
No fim das contas, quem paga o preço desse embate é o cidadão. Projetos travados, clima de instabilidade, servidores inseguros e uma gestão que gasta energia para atacar, não para construir.
A Câmara tem o dever de fiscalizar. A Prefeitura, o de executar. Quando isso vira guerra, o serviço não anda. Em vez de resolver buraco, tênis escolar e posto de saúde, tem é coletiva para rebater vereador.
Essa disputa está longe de ser apenas ruído institucional. Ela revela um modelo de gestão que parece não admitir crítica e um Legislativo que, ao menos nesse caso, se recusa a ser submisso.
E você, leitor, o que acha disso? Crítica agora é crime institucional? Comente e compartilhe.
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Fontes principais:
O Caju, Revista Realce, Política de Fato




