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Prefeitura de Socorro fecha contrato milionário com cemitério do irmão do secretário — oposição prepara ofensiva política

Por mais que a prefeitura de Nossa Senhora do Socorro tente empurrar a narrativa da “emergência funerária”, o contrato de R$ 5 milhões firmado com o cemitério privado Park La Pace, no último mês, fede — e não é de necrochorume.

A oposição já entendeu que há uma mina política pronta para ser explorada: o secretário de Infraestrutura, Rosman Pereira, tem um irmão — Rosivan Pereira — como sócio majoritário do cemitério recém-contratado, o mesmo que está faturando R$ 4.750 por cada gaveta vendida à prefeitura. O contrato foi feito sem licitação, com base numa suposta inexigibilidade que ninguém engole sem fazer careta.

Mais do que um contrato: um palco político

Os vereadores da oposição, liderados por Charlys de Gel, já declararam que vão formalizar denúncia junto ao Ministério Público de Sergipe (MP-SE). A base do argumento é clara: possível conflito de interesse, suspeita de direcionamento de verba pública e, como pano de fundo, a acusação de abandono deliberado dos cemitérios públicos da cidade — que hoje estariam sem licença ambiental e, portanto, “inutilizáveis”, segundo a prefeitura.

Mas aqui vem a pergunta: quem deveria regularizar esses cemitérios? A mesma gestão que agora paga caro para sepultar gente num empreendimento privado com laços familiares?

Inexigibilidade de licitação ou inexigibilidade de vergonha?

O Park La Pace é, de fato, o único cemitério privado da cidade — mas a inexigibilidade de licitação usada para justificar o contrato não desce fácil. Por mais que a legislação permita esse tipo de contrato, o valor alto e a conexão familiar entre membros do alto escalão da prefeitura e o empreendimento levantam sobrancelhas até entre aliados do prefeito Samuel Carvalho.

O que se vê, politicamente, é o seguinte: a base governista tenta blindar o prefeito com o discurso da dignidade (“as famílias merecem um sepultamento decente”), enquanto a oposição morde com força, explorando o potencial escândalo às vésperas do ano eleitoral.

Aliás, Samuel Carvalho não esconde sua simpatia pelo projeto. Ele participou da inauguração do Park La Pace em fevereiro, elogiou o “conforto e modernidade” do local e agora paga por isso — literalmente.

R$ 5 milhões em 12 meses: quem lucra com os mortos?

O contrato prevê o uso de até 70 gavetas por mês (R$ 332.500 mensais, no máximo), mais taxas de cremação, lápides, placas e manutenção. Tudo num pacote funerário que parece mais voltado à elite que aos cofres públicos. Enquanto isso, quatro dos sete cemitérios municipais poderiam ser ampliados, segundo relatório de vereadores.

O detalhe mais indigesto: o secretário Rosman Pereira já foi sócio do cemitério, mas repassou a sociedade para o irmão. Coincidência? Favoritismo? Esperteza jurídica? O eleitor que escolha a palavra.

E o MP, vai agir?

Até agora, não há confirmação pública de que o Ministério Público de Sergipe tenha instaurado procedimento formal. Mas a pressão aumenta. Caso o MP-SE permaneça em silêncio, o risco é que a gestão municipal interprete a omissão como carta branca para continuar enterrando não só corpos — mas também a credibilidade da administração.

Ano eleitoral à vista: cheiro de CPI no ar?

Com as eleições de 2026 se aproximando, a oposição já trata o caso como munição pronta para debates, panfletos e, quem sabe, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no legislativo municipal. A denúncia formal ao MP pode virar combustível político. E, se o TCE-SE entrar na jogada, é possível que o contrato vire caso de jurisprudência.

A disputa em Socorro não é apenas sobre vagas em cemitérios. É sobre quem vai enterrar quem no jogo político local.


O que você acha desse contrato? É escândalo ou solução temporária? Comente, compartilhe e ajude a ampliar o debate. Alguém precisa cavar fundo nessa história — antes que tudo seja enterrado em silêncio.


Fontes principais:

G1 Sergipe, Infonet, F5 News, Portal Fausto Leite, Rádio Fan FM, Câmara de Socorro, Prefeitura de Socorro, MP-SE.

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