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Prefeitura de Socorro enterra verba pública em cemitério particular: R$ 5 milhões saem dos vivos para os mortos

Contrato milionário levanta suspeitas de favorecimento, escancara abandono dos cemitérios públicos e escava um buraco ético na gestão municipal

A Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe, decidiu que sepultar cidadãos agora vai custar caro — e não para a família. Um contrato de mais de R$ 5,3 milhões foi firmado com um cemitério particular, e ninguém na gestão parece disposto a explicar direito como, por que, e — principalmente — quem ganha com isso.

A decisão, que seria no mínimo curiosa se não fosse grave, prevê a compra de 2.400 sepulturas junto a uma empresa privada. Segundo a justificativa (ainda oficiosa), a ideia é “suprir a demanda” de sepultamentos na cidade. A pergunta que não quer calar: e os cemitérios públicos? Simples. Estão caindo aos pedaços.

Cemitérios públicos abandonados, contrato milionário com privado

É isso mesmo que você leu. Enquanto os cemitérios municipais acumulam entulho, mato e denúncias de abandono completo, a prefeitura resolve injetar milhões em um cemitério privado — o mesmo que, segundo vereadores da oposição, tem entre seus sócios um irmão do secretário de Infraestrutura da própria gestão.

Se essa informação for confirmada, temos um caso explícito de conflito de interesse. E mesmo que tudo tenha sido “legalizado”, a pergunta ética permanece: isso foi moralmente justificável?

O silêncio (ensurdecedor) da gestão

Até o momento, a Prefeitura de Socorro não publicou nenhuma nota oficial explicando os termos do contrato. O edital não foi localizado em plataformas públicas, e os detalhes como prazo, reajustes, obrigações da empresa e mecanismos de controle seguem soterrados sob a terra da burocracia.

E enquanto isso, os vereadores da oposição — como Charlys de Gel — apontam falhas graves: ausência de transparência, uso questionável do orçamento público e um desrespeito direto com a população que, literalmente, não tem onde ser enterrada dignamente, a não ser que entre na conta milionária do privado.

Quanto custa morrer (quando a prefeitura paga a conta)?

R$ 5 milhões por 2.400 sepulturas dá uma média de R$ 2.208 por túmulo. Isso sem contar se haverá manutenção, acesso à família, responsabilidade futura. Sem contrato em mãos, não dá pra saber se o cemitério terá que oferecer estrutura digna ou se vai apenas cavar o buraco e entregar a nota fiscal.

A ausência de clareza transforma o contrato em uma caixa-preta. E o cheiro que sai de dentro dela não é só de flores de velório, não.

O que o Ministério Público está esperando?

Com suspeitas de favorecimento, ausência de transparência, possível superfaturamento e evidente abandono da estrutura pública, o caso exige — no mínimo — uma investigação formal do Ministério Público de Sergipe e do Tribunal de Contas.

Não se trata só de um contrato suspeito. Trata-se de um sintoma crônico da terceirização descontrolada dos serviços públicos, onde a prioridade parece ser sempre transferir recursos do Estado para o setor privado — mesmo quando isso envolve negócios com a morte.

E quem lucra com isso?

Essa é a pergunta que deveria estar estampada em outdoor: quem está ganhando dinheiro com esse contrato?
Porque, convenhamos, os mortos não estão. E os vivos, muito menos.

Você acha justo a prefeitura gastar mais de R$ 5 milhões com um cemitério privado enquanto os públicos estão em ruínas? Comente, compartilhe e marque quem precisa saber disso. A gente segue cavando a verdade — porque alguém precisa.


Fontes principais

  • Câmara Municipal de Nossa Senhora do Socorro
  • Globoplay / TV Sergipe
  • Instagram do vereador Charlys de Gel
  • Portal da Transparência (consulta preliminar)

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