Na história das corporações militares existe um tipo raro de comandante. Aquele que conhece a tropa de cima para baixo e de baixo para cima. O coronel Ribeiro parece ser exatamente esse tipo de oficial. Não nasceu coronel. Não entrou pela porta dos gabinetes. Entrou pela porta da rua. Foi soldado de polícia, sentiu o peso da farda nas madrugadas, enfrentou plantões, escala apertada e o cotidiano duro da atividade policial. E talvez seja exatamente por isso que hoje, no comando da Polícia Militar de Sergipe, ele esteja imprimindo um estilo que a tropa reconhece rapidamente.
A cronologia da trajetória de Ribeiro ajuda a entender o fenômeno. Ele começou na base da carreira, como soldado da PM/SE. Naquela época, como tantos outros policiais, enfrentava a rotina que só quem veste a farda entende. Sol forte, madrugadas longas, ocorrências difíceis e o compromisso permanente com a segurança da população. Foi nesse ambiente que ele aprendeu o que significa ser praça da polícia militar.
Com o passar dos anos veio a ascensão natural dentro da carreira. Ribeiro seguiu os caminhos da formação militar, aperfeiçoou sua preparação profissional, prestou concursos internos e construiu sua trajetória dentro da instituição. Passou pelos diversos postos e funções até alcançar o oficialato. Não foi um salto. Foi uma caminhada construída passo a passo dentro da própria corporação. Quando finalmente chegou ao posto máximo da carreira e assumiu o comando da Polícia Militar de Sergipe, muitos policiais já sabiam o que esperar. Afinal, não era um comandante que vinha apenas da teoria administrativa. Era alguém que conhecia a realidade da rua. Sabia o que significa estar no turno da madrugada, na viatura, no calor das ocorrências.
E talvez seja justamente essa experiência que explica algumas decisões recentes que causaram repercussão positiva dentro da tropa. Um exemplo claro aconteceu no último Dia Internacional da Mulher. O comandante determinou que as policiais femininas não entrassem em serviço naquele dia, permitindo que pudessem celebrar a data com suas famílias. Uma decisão simples, mas simbólica. Dentro de uma instituição militar tradicional, foi um gesto que demonstrou sensibilidade e respeito. Outro gesto que vem emocionando a corporação é a visita aos veteranos da Polícia Militar. Coronel Ribeiro tem dedicado parte da agenda a visitar policiais que já estão na reserva. Aqueles homens que passaram décadas servindo à segurança pública e hoje vivem longe do quartel, mas continuam carregando no peito o orgulho da farda. O comandante chega às casas, presta continência, entrega medalhas e leva o abraço da instituição.

Para quem está na reserva, esse gesto tem um valor que não se mede em protocolo. É o reconhecimento de uma vida inteira dedicada à corporação. Muitos veteranos se emocionam ao receber a visita do comandante. Alguns chegam às lágrimas ao perceber que a instituição que serviram por tanto tempo não esqueceu de sua história. Dentro da tropa, a percepção é clara. O comando atual tenta aproximar a estrutura da Polícia Militar das pessoas que fazem a instituição funcionar no dia a dia. Soldados, cabos, sargentos, subtenentes, tenentes, capitães e oficiais superiores percebem que existe uma tentativa de humanizar a relação entre comando e tropa.
Há até quem diga, meio em tom de brincadeira e meio em tom de reconhecimento, que o coronel Ribeiro colocou em prática um princípio antigo da formação militar. No Exército existe uma frase clássica que diz que antes de comandar é preciso aprender a obedecer. E no caso dele, a ordem parece ter sido vivida na prática. Primeiro aprendeu a obedecer como soldado. Depois aprendeu a comandar como coronel.
Esse espírito de proximidade com a tropa dialoga diretamente com o próprio hino da Polícia Militar de Sergipe, que fala da união dos policiais no cumprimento da missão. Ombro a ombro, lado a lado, a corporação cumpre seu papel de proteger a sociedade sergipana. E talvez seja exatamente essa imagem que hoje muitos policiais utilizam para definir o momento da instituição.
No fim das contas, a história de Ribeiro carrega uma simbologia forte. Um soldado que chegou ao topo da carreira sem esquecer de onde veio. Um comandante que visita veteranos, valoriza as mulheres da corporação e tenta manter a tropa motivada. Em uma instituição que se aproxima de dois séculos de história, gestos assim ajudam a lembrar que por trás da farda existe algo ainda mais importante. O ser humano que a veste.




