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Corrida ao Senado: André Moura se movimenta, André David cresce e os outros procuram espaço

A semana dos nomes ao Senado em Sergipe foi de convenção, discurso, cálculo e reposicionamento. Ninguém ainda pode cantar vitória, porque a eleição tem dois votos, muitos indecisos e muito chão até outubro. Mas o noticiário público mostra uma disputa já bastante movimentada: o Republicanos saiu com chapa homologada no Santa Maria, o grupo governista martelou a convenção de 5 de agosto no AM Malls, o PDT levou Edvaldo para a cena nacional em Brasília, o MDB deixou Alessandro falando em apoio a Fábio Mitidieri, e o PL tentou reorganizar Rodrigo Valadares com Ricardo Marques e Duda Lima. Foi uma semana menos de fogos e mais de tabuleiro. A política sergipana, quando parece parada, geralmente está só trocando a cadeira de lugar antes da foto.

André Moura apareceu com uma agenda de articulação territorial e discurso de experiência em Brasília. A presença em Indiaroba, ao lado da deputada Yandra Moura, do prefeito Marcos Sertanejo, de lideranças locais e do deputado Jorginho Araújo, reforçou a marca que ele tenta vender ao eleitor: capacidade de abrir portas federais, trazer recursos e fazer Sergipe ser ouvido no centro do poder. No encontro, sua atuação como líder do governo em Brasília voltou a ser usada como ativo político, inclusive com a lembrança de investimentos federais e da instalação de uma faculdade de medicina em Estância. André fez aquilo que político experiente faz quando sente cheiro de eleição: pisa no interior, fala de obra, fala de Brasília e deixa a frase pronta para circular.

André David teve uma semana de consolidação formal. Sua candidatura ao Senado foi oficializada na convenção do Republicanos, no bairro Santa Maria, em Aracaju, dentro da chapa majoritária com Valmir de Francisquinho ao Governo, Priscila Felizola na vice e Eduardo Amorim também ao Senado. O discurso dele apostou em biografia, superação e segurança pública, lembrando a infância no bairro Pedro Calazans, a dificuldade com falta de água e a ascensão pelo concurso de delegado. Foi uma fala construída para aproximar autoridade policial e origem popular: o delegado que fala de crime organizado, mas também lembra dos tonéis de água da mãe. Nas pesquisas divulgadas na semana, apareceu numericamente em posição competitiva, especialmente na SM Pesquisas, que o colocou à frente no primeiro voto.

Eduardo Amorim apareceu no mesmo palanque do Republicanos com um roteiro mais sereno, emocional e técnico. A convenção homologou sua pré-candidatura ao Senado e colocou novamente sua imagem ligada à saúde pública, à experiência parlamentar e à memória de sua passagem pelo Senado. Eduardo relembrou bandeiras como o Samu e o Hospital do Câncer, buscando falar menos como político de briga e mais como médico que conhece a dor do povo. A estratégia é clara: enquanto outros disputam no grito, Eduardo tenta ocupar o espaço da experiência, da saúde e da lembrança afetiva do eleitorado. É uma campanha que não entra correndo na sala; entra de jaleco, aperta a mão e pergunta onde está doendo.

Rogério Carvalho teve uma semana mais voltada ao campo ideológico, partidário e nacional. Ele apareceu como pré-candidato do PT à reeleição em entrevista coletiva organizada pelo Barão de Itararé, com participação de veículos da mídia progressista, para discutir Sergipe, cenário nacional e projetos em disputa. Também esteve associado à mobilização do Comitê Popular de Luta em Sergipe, com sindicatos, movimentos sociais e militância, reforçando democracia, direitos dos trabalhadores e reeleição de Lula. Rogério falou para a base, para a militância e para o público de esquerda. Não foi uma semana de grande passeio pelo interior no noticiário consultado, mas foi uma semana de reafirmação de identidade: PT, Lula, trabalhadores e defesa da democracia.

Alessandro Vieira apareceu em dois planos: apoio local ao governador Fábio Mitidieri e reação institucional em Brasília. Em entrevista de rádio repercutida pelo 93 Notícias, reafirmou apoio à reeleição de Fábio, dizendo que desvincula essa posição das negociações de chapa e que vê avanços na gestão estadual em emprego, segurança, saúde e infraestrutura. Ao mesmo tempo, continuou orbitando um ambiente de tensão jurídica e política nacional, com sua imagem associada ao discurso de independência e enfrentamento. Alessandro vive uma semana típica de quem está dentro e fora ao mesmo tempo: apoia Fábio, mas não ocupa o centro da chapa governista ao Senado, que deve ser preenchida por André Moura e Rogério Carvalho. É como ficar no salão, mas longe da mesa principal.

Edvaldo Nogueira apareceu menos no varejo municipal sergipano e mais no palco nacional do PDT. Na Convenção Nacional do partido, em Brasília, defendeu o combate ao feminicídio, o fortalecimento dos direitos das mulheres, desenvolvimento econômico, emprego, renda e liberdades democráticas. A fala tem coerência com sua tentativa de se apresentar como nome programático, municipalista e moderado, sem entrar no ringue pesado dos André, de Rogério e de Alessandro. O desafio de Edvaldo é conhecido: em Aracaju, tem memória administrativa, estrutura e lembrança; no interior, precisa provar que não será apenas o ex-prefeito da capital pedindo voto fora de casa. Sua semana foi correta, mas sem explosão. Foi mais seminário do que carreata.

Rodrigo Valadares passou a semana tentando organizar o campo do PL e reposicionar sua candidatura no tabuleiro da direita. O encontro com Ricardo Marques e o estrategista Duda Lima foi apresentado como início de uma nova fase do projeto político liberal em Sergipe, reunindo cerca de uma centena de pré-candidatos, lideranças e apoiadores de PL, Podemos e Novo. A movimentação mostra tentativa de dar método, comunicação e estrutura a um agrupamento que precisa sair da confusão interna para disputar espaço real. Rodrigo tem o ativo do bolsonarismo, mas carrega o desafio de transformar chancela ideológica em voto competitivo. Em resumo, a semana dos senáveismostrou André Moura com presença territorial, André David e Eduardo embalados pela convenção do Republicanos, Rogério falando para a militância, Alessandro equilibrando apoio e independência, Edvaldo buscando pauta nacional e Rodrigo tentando arrumar a casa antes que a campanha bata à porta.

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