O final da CPI das Apostas Esportivas foi digno do que ela investigava: um jogo sujo, com regras maleáveis e resultado manipulado. Em 12 de junho, o Senado rejeitou por 4 votos a 3 o relatório final que apontava envolvimento de influenciadores, dirigentes e plataformas em esquema de manipulação de resultados e lavagem de dinheiro.
Da expectativa à decepção: o que prometia e o que (não) entregou
Prometeram limpar o futebol. Prometeram enquadrar os apostadores milionários e as casas de aposta que hoje mandam e desmandam. Mas, ao final, o que se viu foi uma CPI que se curvou à pressão dos lobistas, dos cartolas e de parlamentares amigos dos “influencers”.
O relator, senador Jorge Kajuru (PSB-GO), acusou colegas de sabotagem. Segundo ele, houve “boicote escancarado” de senadores que receberam doações e agrados do setor de apostas. Nenhuma novidade no Senado brasileiro, onde fiscalizar o amigo é quase heresia.
Influenciadores livres, leves e lucrando
Apesar das dezenas de depoimentos, mensagens vazadas e evidências de manipulação, nenhum influenciador foi indiciado. Personalidades que fizeram propaganda para sites suspeitos seguem impunes. Aliás, muitos estão lucrando mais do que nunca.
A CPI poderia ter aberto caminho para regular de verdade o setor, ou ao menos escancarar quem estava ganhando com a bagunça. Preferiu encerrar com um relator abandonado e um Senado omisso.
A quem interessa esse resultado?
Não há dúvida de que as casas de apostas respiraram aliviadas. O mercado bilionário das “bets” segue livre, leve e solto, com a bênção da omissão parlamentar. E o torcedor, que acreditava na bola rolando de verdade, segue sendo feito de palhaço.
Vai ficar por isso mesmo?
O relator jura que vai reapresentar o texto como projeto de lei. Mas no Brasil, a regra é clara: quando o escândalo envolve muito dinheiro e gente famosa, a memória é curta e a impunidade é longa.
Análise do Portal Fausto Leite
Como punir influenciadores se a publicidade das bets é liberada no Brasil? Seja lá qual for a mídia — televisão, redes sociais, portais, podcasts — lá está ela, a propaganda nua e clara do famigerado Jogo do Tigrinho. O marketing vem sempre mascarado com frases mansas como “você joga se quiser”, “é só para diversão”. Mas o que vendem mesmo é enriquecimento fácil e rápido. E vendem isso para uma população cada vez mais desinformada, menos educada e viciada em soluções mágicas. É a promessa do dinheiro instantâneo, servida em streaming 24h por dia. E o Estado assiste em silêncio.
A CPI das Apostas acabou sem indiciamento, sem punição e sem vergonha. O que você acha: foi covardia, conivência ou só mais um dia normal em Brasília? Comente e compartilhe.





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