Em Lagarto, uma coisa é certa: quem não reza na cartilha do prefeito Sérgio Reis, dança. Pode ser amigo, aliado, colega de campanha ou… tia. Sim, nem mesmo o laço sanguíneo foi suficiente para segurar Goretti Reis, ex-deputada estadual e até então secretária municipal de Saúde, no cargo. A caneta de Sérgio tem mais ação que novela que série de serial killer da netflix, e quando o roteiro não agrada, ele muda o elenco sem dó nem aviso prévio.
Na última sexta-feira (31), o povo de Lagarto foi surpreendido com a notícia da exoneração de Goretti Reis, anunciada de forma discreta e um tanto gélida nos stories do Instagram do prefeito. Segundo a versão oficial, a saída partiu dela, alegando que quer se dedicar a “projetos pessoais”. Mas, como diz o bom sergipano: “Rapadura é doce, mas não é mole”.
Nos bastidores, a leitura é outra: o projeto pessoal de Goretti pode muito bem se chamar “2026”. E quando o clima esfria entre parente e prefeito, o resultado é demissão, disfarçada de renúncia. Afinal, não é de hoje que se comenta que a relação entre os dois nunca foi, digamos, um almoço de domingo em família.
Na prática, Goretti enfrentava duras críticas pela precariedade na saúde do município e, segundo se comenta, a ex-secretária técnica tinha sérias dificuldades de se adaptar ao “perfil político” de Sérgio, onde o estilo centralizador e o gosto por holofotes não combinam com quem quer apenas trabalhar. Resultado: ficou claro que ou ela se curvava ao script do prefeito, ou estaria fora da cena. E, como sabemos agora, foi cortada da novela.
E ela não está sozinha no camarim da demissão. Antes de Goretti, outros secretários já passaram pela mesma porta giratória da gestão Sérgio Reis e não foram poucos. O que se vê é um padrão: quando o script não agrada ao diretor, o personagem é cortado do elenco, sem direito a última cena. Trocas em pastas específicas… a lista cresce como se a estabilidade fosse um detalhe opcional. Em Lagarto, a rotatividade de secretários tem mais reviravolta do que novela das oito e, ao que tudo indica, o elenco de agosto já está sendo escalado.
A verdade é que Sérgio Reis parece aplicar a máxima do “manda quem pode, obedece quem tem juízo” com fervor quase religioso. Só que, em vez de administrar com diálogo, prefere operar com a navalha: quem respira diferente, já está fora do barco.
E aqui vai um detalhe nada trivial: Goretti não é qualquer nome. Ela tem peso político, foi deputada por vários mandatos e carrega consigo uma base respeitável da região centro sul. Sua nomeação em janeiro foi lida como um movimento de fortalecimento familiar. Mas, como já está virando regra nessa gestão, quem não aplaude de pé, leva vaia de bastidor e aviso de exoneração na bandeja.
O que resta agora é a pergunta que ronda os bastidores de Lagarto: será que a saída de Goretti marca o início de um novo ciclo político para ela e o fim da lua de mel interna no grupo Saramandaia? Se for mesmo candidata em 2026, a briga vai ser boa. E com o histórico recente, não será surpresa se a próxima dobradinha for Goretti de um lado e Sérgio e Fábio Reis do outro. Um duelo familiar com tempero eleitoral.
Por ora, o povo de Lagarto assiste à cena como quem vê uma novela das oito: cheia de demissões repentinas, alianças desfeitas, roteiros secretos e um protagonista que não aceita improviso no palco do poder. Mas já se sabe: quando o script do prefeito não agrada, até parente vai pro corte. E quem será o próximo personagem a ser eliminado do capítulo de setembro




