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Danielle Garcia insulta idosos e desmoraliza a política

A política sergipana nos ofereceu, mais uma vez, um espetáculo triste e didático sobre como a hipocrisia e a inversão de valores contaminam o debate público. De um lado, Jackson Barreto, ex-governador que construiu sua história em tempos de chumbo e que tem, sem dúvida, o direito de apontar contradições internas no atual agrupamento político. De outro, Danielle Garcia, que deveria representar uma nova política, mas cuja postura recente revelou um lamentável e desrespeitoso comportamento etarista.

É importante pontuar: Jackson Barreto, ao criticar Danielle Garcia, o fez pelo campo das ideias e da história política. Foi enfático, claro, e até duro, como se espera de quem tem décadas de enfrentamento no sangue. Já Danielle, na contramão do que prega enquanto agente pública, partiu para um ataque pessoal e lamentavelmente age como quem pretende desqualificar o outro não pelo que ele defende, mas pela sua idade.

Dizer que um homem idoso deve “aproveitar o resto da vida para namorar e viajar” não é apenas deselegante. É cruel. É a cristalização de um preconceito etário que, se fosse praticado por Jackson Barreto contra uma mulher idosa, provocaria uma verdadeira hecatombe na esfera pública. Estaríamos, com razão, apontando o dedo para o machismo, a misoginia, a desvalorização da mulher madura, e talvez até vendo a Delegada Garcia acionar instâncias jurídicas para defender sua honra.

Mas quando o alvo é um homem? Silêncio. Omissão. Sorrisos mal contidos. É o famoso “dois pesos, duas medidas” que atravanca a nossa evolução social. O que Danielle Garcia praticou, na verdade, é o etarismo, preconceito baseado na idade, travestido de humor irônico. Um comportamento que não combina com quem pretende representar uma política de respeito, diálogo e renovação. Sua fala sugere que, ao envelhecer, um ser humano deve se afastar da esfera pública e se reduzir a uma vida privada de frivolidades, como se suas experiências, sua história e sua voz não mais tivessem valor.

E vamos imaginar o inverso: se Jackson Barreto, ao responder Danielle Garcia, tivesse dito que, “pelo pouco tempo de vida que lhe resta”, ela deveria aproveitar para “viajar e namorar”?

As manchetes do Brasil e de Sergipe estariam acusando o ex-governador de machismo, assédio moral e violência simbólica contra a mulher. E ele seria massacrado, não apenas nas redes sociais, mas também na mídia tradicional, nas rodas políticas e nos corredores dos tribunais de opinião pública.

Por que, então, Danielle Garcia recebe tão pouco questionamento quando comete o mesmo erro, talvez ainda mais grave, contra um idoso? Porque nossa sociedade ainda tolera o preconceito disfarçado de ironia quando o alvo é homem e idoso. E é justamente essa seletividade moral que precisa ser denunciada com firmeza.

Não se trata de blindar Jackson Barreto de críticas políticas. Ao contrário: ele, como toda figura pública, deve ser cobrado por suas ações e omissões, como qualquer outro. O que se está em jogo aqui é o princípio básico do respeito humano, sem o qual a política perde sua legitimidade.

Jackson Barreto não merece ser desqualificado pela idade. Sua trajetória é parte da história de Sergipe e do Brasil. Foi ele quem desafiou a ditadura militar, que lutou pelas Diretas Já, que governou um Estado complexo em tempos difíceis. Acertos e erros à parte, é alguém que merece o debate pelas ideias, não pela biologia do tempo.

Danielle Garcia, ao agir assim, perdeu uma oportunidade de demonstrar grandeza política. Em vez de responder Jackson com argumentos sólidos, preferiu apelar para a caricatura fácil, expondo não só a sua falta de preparo emocional para o enfrentamento democrático, mas também uma visão limitada e, paradoxalmente, arcaica.

O novo, quando se apresenta com os vícios do velho, não é renovação: é retrocesso embalado em discursos de ocasião. Enquanto mulher, enquanto jornalista, enquanto cidadã, não posso deixar de me indignar. Quem busca representar a transformação da política não pode se valer dos mesmos instrumentos de discriminação que tanto diz combater.

Jackson Barreto, com todas as críticas que possa merecer, merece também o reconhecimento e o respeito que sua história impõe. Já Danielle Garcia, se deseja mesmo ser parte da construção de uma nova política, precisa começar pelo princípio mais elementar: respeitar as pessoas, independentemente de idade, gênero ou qualquer outra condição. Só assim, com debate de ideias e não com ataques pessoais, se constrói uma política verdadeiramente digna

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