Por Bia Muniz, direto da Itália, para faustoleite.com.br
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Não quis falar antes… Nem escrever. Preferi o silêncio. A morte do Papa Francisco me tocou fundo. E não apenas por ser católica de berço — sou de missa de sexta, de colégio de freiras, de rezar antes de dormir… Mas porque ele, Francisco, era diferente. Tinha a doçura dos que conhecem a dor do povo. Falava pouco… mas dizia muito.
Foi por isso que vim. Peguei um voo, sem pensar demais. Milão me recebeu como se eu fosse antiga. A Toscana me embalou com vinhos que me abraçaram melhor do que muita gente. Fui só… como deve ser quem busca respostas. Mas hoje… cheguei a Roma. E confesso: me doeu.








Roma é eterna. Mas também virou vitrine. Tudo é cobrado — até a fé. Uma igreja cobra pra entrar… outra, pra ver o altar. Outra, pra acender uma vela. Você paga pra sentir o sagrado. Como se Deus agora usasse… maquininha de cartão.
Mas aí, um respiro: no túmulo de Francisco, ele pediu que a entrada fosse gratuita. Porque ele sabia. Sabia que a fé… não se vende. Que Deus não se tarifava. Que o céu não é pra quem tem troco na mão… mas verdade no coração.
A Igreja que me ensinou a amar o próximo agora virou bilheteria. Um museu da fé… com entrada paga. Eu queria voltar a acreditar. Queria me reencontrar com Deus. Mas o que encontrei foi comércio.
Até as orações… parecem ensaiadas.
E não me entendam mal. Não falo contra Deus. Jamais. Mas contra o que fizeram com o nome Dele.Seja você católica, evangélica, da umbanda, do candomblé, do espiritismo… Não importa. A única religião que salva… é a que nos faz ser melhores com o outro. A que acolhe… sem perguntar o nome. A que abraça… sem cobrar entrada.
Espero que o novo Papa — Leão XIV — tenha coragem. Coragem de devolver à Igreja o que ela perdeu: humanidade. Porque, no fim das contas… o que salva mesmo… é o amor. E amor… não se cobra.
Bia Muniz, 58 anos, jornalista e devota das coisas simples. Direto de Roma… buscando algo que talvez esteja aqui dentro — e não nas paredes douradas do Vaticano.




