Há histórias que não pertencem só a quem as viveu, pertencem a todos nós que tivemos o privilégio de testemunhá-las. E, quando o assunto é Fabiano Oliveira, confesso: minha memória afetiva nem espera a caneta tocar o papel. Ela já sorri, já samba, já se ajeita no ritmo do trio. Porque falar de Fabiano é como tentar escrever com confete no ar, impossível não se contagiar. Ele é desses personagens que não apenas fizeram parte da festa, mas viraram a própria festa. E cada vez que lembro dele, o coração parece entrar em modo “Pré-Caju”: batendo mais rápido, com glitter na alma e um sorriso que não se explica, só se sente.
Eu conheço Fabiano desde os tempos em que ele desfilava pelas ruas de Aracaju com seu unozinho cinza de fundo preto, janelas abertas, som alto e aquele sinalzinho no rosto que parecia uma assinatura da alegria. Não havia moça em Sergipe que não virasse o pescoço quando ele passava. E eu? Ah, eu estava entre elas, uma das paquerinhas declaradas, dessas que fingem desinteresse, mas esperam o semáforo fechar só pra ver se ele acenava.
Nunca aconteceu nada (não por falta de vontade de uma geração inteira, diga-se de passagem). Mas o Fabiano da COSAL, aquele menino que ajudava o pai, seu Augusto, e a mãe, dona Lidinha, na padaria que virou distribuidora, já era o mesmo Fabiano que hoje movimenta o coração da cidade: visionário, charmoso e com o talento de transformar trabalho em espetáculo.
Naquele tempo, o trio elétrico era pura magia em movimento. A gente seguia junto, em cima dos caminhões, dançando, cantando, improvisando trajetos sobre carrocerias adaptadas que pareciam flutuar ao som da batida e o coração da cidade pulsava no mesmo compasso da música.
E lá estava ele, Fabiano, microfone em punho, sorriso largo, espalhando energia como quem carrega o próprio sol no peito. “Energias positivas!” gritava, com aquela marca registrada que só ele sabe dizer, e a multidão respondia em coro, num contagiante vai e vem de alegria. Era impossível não se deixar levar. A cada batida, a cada grito, era como se ele recarregasse a cidade inteira Desde então, nunca perdi um Pré-Caju. Nenhum. Porque, pra mim, essa festa vai muito além da música e do trio, é o relógio do coração sergipano, marcando o tempo em batidas de axé, suor e emoção.
Fabiano não é apenas o criador de uma micareta. Ele é o engenheiro da felicidade coletiva, o homem que entendeu que festa também é identidade, turismo, economia e memória. Ele não organiza blocos, ele orquestra emoções. De uma padaria familiar à maior celebração de rua do Estado, ele transformou suor em brilho, trabalho em cultura e um sonho em tradição. E fez isso com o mesmo sorriso de quem sabe que o povo de Sergipe tem um dom natural: fazer do sol, do mar e do som um espetáculo de pertencimento.
Hoje, quando o trio elétrico corta a Orla da Atalaia, não é só o axé que se espalha no ar. É a certeza de que Aracaju pulsa, que o sergipano sabe rir de si mesmo, dançar de olhos fechados e se orgulhar da própria terra. O Pré-Caju é o nosso carnaval antes do carnaval. É o nosso “olha eu aqui” pro Brasil. E 2025 promete ser um espetáculo à parte, com Bell Marques, Cláudia Leite, Ivete Sangalo, Durval Lelis, Harmonia do Samba e tantos outros que, ano após ano, transformam o asfalto em tapete da alegria.
Fabiano sempre diz que pensa “em cada detalhe para que o folião viva novas emoções”. E ele cumpre. Porque, pra ele, festa boa é aquela que o povo leva pra casa, no corpo, na alma e no Instagram.
De lá pra cá, tudo mudou, o som ficou mais potente, o trio mais iluminado, o público mais animado. Mas o sorriso dele? Ah, esse continua o mesmo. O menino do Uno virou o homem dos trios, mas segue sendo aquele Fabiano de coração aberto, que cumprimenta o povo pelo nome, agradece à prefeitura, respeita o público e nunca esquece que alegria também é coisa séria.
Ainda chama o Fausto de Faustinho, como se o tempo nunca tivesse passado. Ainda abraça o Araujinho com aquele carinho de quem compartilha palco, estrada e risada há uma vida inteira. E, claro, ainda lança aquela piscadinha clássica para as paqueras do passado, só pra garantir que ninguém esqueça o charme do mestre do trio. E se ele me chama de “Bia”, ah… aí quem pisca sou eu! Porque tem coisas que o tempo não muda, o carisma do Fabiano e o prazer de contar essa história.
No fim, é simples: é Fabiano, é Pré-Caju, é alegria e é a jornalista Bia Muniz quem escreve, sorrindo, porque sabe que certas memórias não passam… apenas ganham trilha sonora. E eu, que um dia paquerei aquele garoto da COSAL, hoje paquero o profissional que ele se tornou: um símbolo vivo de Sergipe, um homem que fez do axé uma linguagem e do Pré-Caju, um patrimônio emocional.
Fabiano Oliveira é mais do que produtor, mais do que empresário, ele é parte da alma sergipana. E se um dia o meu coração adolescente acelerou ao vê-lo passar naquele unozinho, hoje ele se enche de orgulho ao vê-lo conduzir multidões. Porque, em cada Pré-Caju, há um pouco da nossa história, da nossa infância, da nossa cidade. E enquanto houver trio, som e gente dançando, haverá Fabiano Oliveira, o homem que ensinou Sergipe a celebrar a vida em ritmo de axé. Axé, Fabiano! De uma paquera de ontem, pra uma fã eterna de hoje. “Vibrações Positivas!!!”.




