A Democracia Cristã decidiu disputar tudo em Sergipe. Lançou Taty Cristina de Jesus ao governo, Simeão Barbosa para vice, Paulinho da União Tur e Renatinha ao Senado. Paulinho já chega com nome de agência de viagem, talvez porque sua candidatura pareça mais preparada para excursão do que para eleição. Renatinha, por sua vez, aposta no diminutivo, como se a urna também fosse carinhosa e aceitasse voto no afeto. É uma chapa completa, corajosa e eleitoralmente parecida com alguém que entra numa concessionária sem dinheiro, escolhe o carro mais caro e pergunta se pode pagar com fé, sorriso e um passeio pela União Tour. A DC tem candidato para todos os gostos. Falta apenas o detalhe inconveniente chamado intenção de voto.
Para deputado federal, entram Tamara Gardênia, Gel de Sergipe, Irmã Micheli, Maria Raimunda, Marcos Oliver e Gilmar da Estância. Tamara chega com nome de flor; Gel promete refrescar a campanha; Irmã Micheli aposta no eleitor religioso; Maria Raimunda busca identificação popular; Marcos Oliver tem nome de artista; e Gilmar já informa no sobrenome eleitoral de onde espera tirar votos. É uma nominata simpática, mas pequena e sem puxador conhecido. Parece grupo musical de cidade pequena: tem vocalista, figurino e repertório, mas Brasília ainda não contratou o show.
Na disputa estadual, a DC apresentou somente Marcos Romeu e Cleide Caminhoneira. Marcos Romeu traz romantismo no nome, mas o quociente eleitoral não leu Shakespeare e não acredita em amor à primeira vista. Cleide chega com identidade profissional forte e um caminhão imaginário para carregar os votos. O problema é que a carga pode passar de 50 mil, tomando 2022 como referência, e Marcos talvez precise empurrar na subida. A nominata estadual inteira cabe na cabine do caminhão, com espaço para o advogado e o contador.
Matematicamente, a eleição de um federal ou estadual é possível porque existem as sobras eleitorais. Politicamente, porém, a chance é tão pequena que já pode ser considerada uma experiência científica. A DC precisaria transformar seis candidatos pouco conhecidos numa votação federal de partido grande e fazer dois estaduais produzirem votos por uma chapa inteira. Não é campanha. É multiplicação dos pães, agora com santinho, adesivo e prestação de contas.
A tendência é a Democracia Cristã terminar sem governador, sem senador, sem deputado federal e sem deputado estadual. Pode surpreender? Claro. A política permite milagres, e o nome do partido já mostra intimidade com o assunto. Mas, olhando a chapa, a estrutura e a matemática, a DC parece ter organizado uma festa completa sem verificar se alguém sabia o endereço. No fim, pode sobrar discurso, fotografia, oração e a tradicional nota dizendo que “o partido saiu fortalecido”. Mandato mesmo talvez não saia nem por intercessão.




