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Desenterrar a cabeça de bode e espantar a velha política

Estamos chegando a mais uma eleição e, de novo, o Brasil parece discutir tudo, menos o essencial. Fala-se em palanque, foto, promessa, abraço ensaiado e discurso de ocasião. Mas quase ninguém enfrenta, com seriedade, temas como redução de impostos, corte de gastos públicos, segurança jurídica, menos burocracia e mais liberdade para quem produz, empreende, gera empregos e sustenta a economia.

O mais curioso é que parte do próprio setor produtivo reclama do Estado pesado, mas, na hora de defender mudanças, entra no modo silêncio de reunião oficial. Muitos empresários criticam a carga tributária no café da manhã, xingam a burocracia no almoço e, à noite, aparecem sorrindo ao lado do governante da vez. É o livre mercado com crachá de fornecedor público.

O Brasil já teve indústria ousada, ferrovia forte e capacidade de pensar grande. A Gurgel falava em carro elétrico quando isso ainda parecia filme de ficção. Mas o país preferiu o improviso, o compadrio e a velha política do “vamos empurrando”. Enquanto Coreia do Sul, Singapura e China investiram em produtividade, infraestrutura e educação, nós ficamos discutindo quem senta mais perto do poder no almoço.

O resultado está aí: imposto alto, Estado caro, crescimento baixo e empreendedor tratado como suspeito até provar que sobreviveu ao contador, ao fiscal, ao alvará e ao carimbo do carimbo. No Brasil, quem quer abrir empresa não precisa apenas de coragem. Precisa de fé, paciência e um bom cardiologista.

Talvez esteja na hora de o empresariado desenterrar a cabeça de bode e parar de fingir que bajular governo é estratégia de desenvolvimento. Foto oficial envelhece. Contrato acaba. Governo passa. Mas as consequências das escolhas políticas ficam.

Quem produz riqueza não pode continuar assistindo à eleição como plateia de teatro ruim. Ou entra no debate com coragem, ou continuará pagando a conta sentado na primeira fila, aplaudindo quem aumentou o ingresso.

Marcos Pinheiro, empresário

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