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Disputa interna reacende debates sobre rumos do PT em Sergipe

O Processo de Eleição Direta (PED) do Partido dos Trabalhadores em Sergipe, realizado no último domingo (6), consolidou a hegemonia da corrente liderada pelo senador Rogério Carvalho e pelo deputado federal João Daniel. Com mais de 5.300 votos já contabilizados até a última parcial, de um total de 7.774, Rogério venceu a disputa pela presidência estadual do PT, enquanto o vereador Camilo Daniel assumirá o comando do diretório municipal de Aracaju.

A vitória amplia a presença do grupo de Rogério e João Daniel, que há anos se dedicam à organização do partido no interior do estado, criando e acompanhando diretórios municipais com atuação constante e sistemática. A dupla tem se destacado por presença física frequente, visitas semanais aos municípios e manutenção de interlocução direta com a militância, o que fortaleceu suas bases e influência.

Do outro lado, a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), representada por Cássio Murilo, teve o apoio de nomes de peso como o ministro Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência) e a secretária nacional de Renda de Cidadania, Eliane Aquino. Apesar do esforço de campanha e da tentativa de reposicionar o debate interno com pautas de renovação e resgate da militância, a candidatura de Murilo não obteve sucesso nas urnas.

Eliane Aquino, mesmo durante seu período de férias, esteve presente em Aracaju para articular apoios e fortalecer a candidatura do aliado, com foco na reativação da base social do partido, em especial após o fechamento da sede histórica do diretório. Seu discurso, assim como o de Cássio Murilo, foi marcado pela crítica ao distanciamento do partido de suas origens populares e à centralização do poder em torno de poucas lideranças.

O PED, além de marcar um novo ciclo de direção partidária, também revelou a cisão política que o PT enfrenta em Sergipe. De um lado, um grupo consolidado e enraizado na estrutura municipal do partido; do outro, uma tentativa de reoxigenar a legenda com propostas de renovação e maior conexão com os movimentos sociais.

Um dos elementos que acentuaram a divisão foi a resolução política aprovada pelo diretório estadual em 2024, proibindo alianças com o governo Fábio Mitidieri (PSD). A decisão contrariou a postura do ministro Márcio Macêdo, que mantém diálogo estreito com o atual governador e foi o responsável pela indicação de Valadares Filho à Secretaria de Cultura. O apoio de Márcio a um governo não alinhado ao programa petista isolou politicamente sua corrente e enfraqueceu a candidatura de Murilo.

A eleição, no entanto, vai além de uma disputa de cargos internos. O PT/SE já inicia os preparativos para 2026, com foco na reeleição do presidente Lula, do senador Rogério Carvalho, do deputado federal João Daniel e do deputado estadual Chico do Correio. Além disso, o partido reafirma sua oposição aos projetos neoliberais e da extrema direita, e planeja fortalecer sua atuação junto aos movimentos sindicais, estudantis e sociais.

Embora derrotada nas urnas, a corrente ligada a Márcio Macêdo e Eliane Aquino segue relevante, especialmente por sua capacidade de articulação nacional e pela inserção em áreas estratégicas do governo federal. A sua atuação no PED reacendeu um debate necessário: qual deve ser o papel do PT em Sergipe? Um partido de militância de base ou um partido de articulação institucional?

Ao final, o PED 2025 revelou mais que uma simples disputa interna. Expôs as diferentes visões de futuro para o PT sergipano e o desafio comum a todas as correntes: reconstruir laços com a base popular, superar fragmentações e preparar o partido para os desafios eleitorais e políticos dos próximos anos.

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