Confesso, meus caros leitores, que quando escrevi há poucos dias o artigo “Blindagem cara, blindagem cênica: Aracaju merece mais que uma Emília”, imaginava que a novela do carro blindado terminaria ali, com seu custo de R$ 312 mil e sua cena patética de incoerência política. Mas não: a história ganhou novos capítulos, e não daqueles que nos orgulham, mas dos que nos fazem rir para não chorar.
Pois bem: enquanto a prefeita de Aracaju segue desfilando seu figurino de incoerência, ora heroína do Fusca, ora musa da blindagem de luxo, alguém resolveu não se calar diante do escárnio. E esse alguém atende pelo nome de Elber Batalha, o meu Elbinho …
Enquanto Emília se esconde atrás de vidros fumês e discursos de WhatsApp, Elber decidiu colocar o rosto, a voz e a assinatura naquilo que se espera de um vereador: fiscalizar o dinheiro público. Ele não apenas apontou o absurdo do contrato superfaturado, como também ameaçou entrar com ação popular pedindo a devolução em dobro dos valores pagos, a anulação da contratação e a responsabilização dos envolvidos. Eis a diferença entre blindagem de lata e coragem de carne e osso.
E vejam, não se trata apenas de uma denúncia pontual. O vereador não engoliu o silêncio ensurdecedor da prefeita, tampouco se satisfez com o teatrinho de devolver o carro como quem devolve vestido alugado depois do baile. Elber insiste, investiga, acompanha novos editais, denuncia empresas de fachada e aponta os vínculos incômodos de poder. Enquanto uns se blindam de SUV, ele se blinda de coragem e essa não custa um centavo do bolso do povo.
É curioso e, confesso, tragicômico, perceber como a prefeita tenta vender a blindagem como símbolo de segurança, quando, na verdade, cada linha do contrato é um retrato da insegurança administrativa. Se antes ela era a “Cinderela do Fusca”, hoje tenta posar de “Joana d’Arc de vidros escuros”. Mas coragem, meus caros, não se mede em centímetros de aço, e sim em centímetros de coluna vertebral.
Por isso, faço aqui uma pausa para elogiar a postura de Elber. Em tempos em que a política se veste de marketing e a ética vira peça de figurino, encontrar um vereador disposto a remar contra a maré, a cutucar feridas e a enfrentar a máquina pública com documentos, ações e persistência é, sim, motivo de registro. E registro com prazer.
Elber não é passarela, não é holofote. É investigação, é dedicação, é fiscalização na veia. E é disso que precisamos. Foi justamente por causa de suas denúncias que o contrato escandaloso do carro blindado foi suspenso, obrigando a gestão municipal a engolir o vexame e reabrir outro procedimento. Uma vitória parcial, é verdade, afinal, a prefeita não desistiu da blindagem, apenas trocou de figurino. Mas já mostra o efeito de quando alguém resolve romper o silêncio confortável da política.
Porque, minha querida Aracaju, se for para blindar alguma coisa, que seja a cidade contra o anacronismo de um transporte público que promete ser elétrico, mas sem energia. Mais Elber, menos Emílias, pelo menos por agora!




