PUBLICIDADE

Do Nada, Eu Sorri

Foi do nada. Sem aviso, sem motivo, sem explicação. Eu estava ali, preso nos meus pensamentos, carregando o peso de dias difíceis, quando percebi que o canto da minha boca se levantava. Senti o rosto se abrir num sorriso — leve, tímido, mas real. E por um instante, me perguntei: por quê? O que havia mudado? Nada… e, ao mesmo tempo, tudo.

Do nada, eu sorri. E nesse gesto simples, percebi que o meu coração ainda estava vivo. Que, mesmo ferido, ele ainda sabia encontrar um jeito de agradecer. Talvez eu tenha sorrido por lembrar que já sobrevivi a dores que pareciam eternas. Ou talvez tenha sido por sentir, ainda que por um segundo, que o ar que eu respirava tinha gosto de recomeço.

Sorrir, às vezes, é o corpo confessando aquilo que a alma ainda não teve coragem de dizer: “Eu estou tentando ficar bem”. Não é negar o cansaço, nem esconder as cicatrizes — é aceitar que a vida continua, e que há beleza até no que resta depois da tempestade.

Enquanto eu sorria, entendi que aquele momento não era um milagre do acaso. Era um sinal. Um pequeno lembrete do céu de que há vida depois da dor, que a fé não morre, e que dentro de mim ainda existe espaço para o novo. Foi como se Deus sussurrasse: “Viu? Eu ainda te faço sorrir”.

E eu sorri de novo. Dessa vez mais consciente, mais grato. Sorri porque percebi que não preciso de grandes vitórias para sentir alegria. Às vezes basta o som da chuva, o cheiro do café, o abraço de alguém que me entende, ou a simples lembrança de que eu ainda estou aqui. Vivo.

Eu pensei em quantas vezes esperei motivos para sorrir, quando o sorriso, na verdade, é o motivo. Ele vem quando o coração entende que, apesar de tudo, ainda vale a pena. Que a dor passa, que o tempo cura, que a alma se refaz. E que o amor — o amor pela vida, por mim, por Deus — é o que me mantém de pé.

Do nada, eu sorri… e percebi que esse “nada” era, na verdade, um “tudo”. Era o reflexo de tudo o que já superei, de tudo o que aprendi, e de tudo o que ainda quero viver. Era o encontro entre o que fui e o que ainda serei.

E se um dia alguém me perguntar o porquê desse sorriso que aparece sem aviso, eu direi apenas: foi do nada. Mas, nesse nada, havia paz. Havia fé. Havia vida. E, de algum modo, havia eu — reencontrando a mim mesmo no simples ato de sorrir.


Thiago Santos


Arte: Erick Gouveia

Respostas de 6

  1. Nossa… eu estava triste e acredita, que quando acabei de ler eu sorri é? Kkkk… texto maravilhoso!
    Que Deus te abençoe grandemente, leio todos os seus textos, ja esta na hora de escrever um livro.
    Bjo. Este portal esta de parabéns.

  2. Texto maravilhoso, Não tem como não chorar é rir ao mesmo tempo. Cada semana você surpreende Thiago, parabéns pelos textos e ao portal por nos proporcionar esse momento de reflexão e conexão com à vida.

    1. Maravilhoso é saber que diante do caos que vivenciamos dia a dia ainda temos o prazer em saber que a vida ainda nos dá esse prazer ,sorrir pra o mundo pra sorte e a felicidade de termos o Senhor como nosso pastor

  3. Que texto inspirador! Que Deus continue te concedendo essa linda habilidade de tocar o coração do público com suas palavras.

  4. Parabéns ao Portal do Fausto Leite por nos dar a honra de ler esses textos maravilhosos. Sou fã de carteirinha do Thiago! Parabéns pelos textos e já está na hora de lançar um livro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *