A eleição de 2026 nem começou direito e o Brasil já conseguiu criar uma confusão que parece roteiro de novela nordestina misturada com filme de ficção científica. O Tribunal Superior Eleitoral agora está tentando descobrir como controlar uma senhora que não existe. Sim, uma personagem criada por inteligência artificial virou alvo de ação judicial porque começou a falar de política, criticar governo, provocar a esquerda e movimentar milhões de visualizações. Em resumo, o país chegou naquele ponto em que nem a velha fofoqueira do grupo da família é mais humana garantida.
O mais engraçado é imaginar o susto do eleitor sergipano. Até pouco tempo atrás, o medo era cair em golpe de falso pix ou acreditar em pesquisa feita em mesa de bar. Agora o cidadão precisa descobrir se está debatendo política com uma aposentada indignada ou com um computador escondido atrás de um roteador quente no fundo de um quarto. Em Aracaju já tem gente olhando para vídeo de internet igual olha para carro usado na OLX. Desconfiando de tudo, perguntando de onde veio e tentando entender quem realmente está por trás da conversa. Será que vem de Itabaiana ou de Boquim?
E convenhamos, a inteligência artificial entrou na política brasileira com mais força do que muito partido nanico. Tem candidato que passa anos tentando viralizar e não consegue metade do alcance de uma senhora virtual reclamando da vida e falando de eleição. Enquanto isso, o TSE corre para aprovar regra, bloquear algoritmo, proibir recomendação automática e impedir deepfakeperto da votação. Traduzindo para o português do sergipano: Brasília descobriu que o robô aprendeu a pedir voto antes de muito político aprender a conquistar eleitor.
O detalhe mais saboroso da história é que a tal “Dona Maria” movimentou mais discussão política do que muito mandato inteiro. E sem precisar de carro de som, sem santinho e sem promessa de calçamento. O sujeito que criou a personagem é motorista de aplicativo e disse ganhar pouco dinheiro com a página. O problema é que a personagem ganhou voz própria. E no Brasil, quando algo ganha voz própria e começa a falar de política, rapidamente aparece processo, investigação, nota de repúdio e alguém dizendo que a democracia corre perigo.
No fundo, o caso mostra uma verdade maravilhosa e assustadora ao mesmo tempo. A eleição de 2026 talvez seja a primeira em que o eleitor não precise apenas descobrir quem mente. Vai precisar descobrir quem é real. E isso muda completamente o jogo. Em Sergipe, onde até fila de padaria vira debate sobre governador e senador, já tem gente desconfiando até de vídeo de receita de bolo. Porque do jeito que a coisa anda, daqui a pouco aparece um sanfoneiro criado por inteligência artificial pedindo voto, criticando adversário e ainda prometendo resolver o preço do tomate na feira livre.




