Lula decidiu vestir a velha capa de defensor do nacionalismo econômico. O problema é que, em vez de negociar com inteligência estratégica, optou por esbravejar com arrogância populista. Enquanto o presidente transforma a política externa em espetáculo, 58 contêineres de pescados brasileiros estão voltando para casa, portos estão paralisando, o dólar dispara e a inflação começa a rosnar, tudo isso antes mesmo da tarifa americana de 50% começar a valer. Agosto ainda não chegou, mas o prejuízo já desembarcou nos cofres nacionais.
Pior do que a crise econômica é a crise de narrativa: a culpa, como sempre, é de Bolsonaro. Ou de Trump. Ou da CIA. Ou, quem sabe, de Marte. Nunca do Planalto. Lula prefere viver em estado permanente de campanha, reciclando fantasmas políticos como se ainda estivéssemos em 1989. O Brasil real, que vive de exportação, investimento e estabilidade, fica em segundo plano, quando não abandonado no porão da retórica.
Em vez de buscar diálogo técnico com o governo norte-americano ou construir uma resposta racional às sanções tarifárias, o presidente subiu no palanque e bradou, com a sobriedade de um líder de torcida: “Eu que deveria taxar ele.” Enquanto isso, contratos são suspensos, investimentos congelados e o medo se espalha pela costa brasileira, do Ceará ao Paraná. O mercado de pescados, com quase um século de construção comercial com os EUA, ameaça ruir. E o governo brasileiro, em total miopia, trata a crise como geopolítica, quando o buraco é geoeconômico, geotécnico e, francamente, geoburro.
A resposta americana foi dura? Sem dúvida. Mas o que o Brasil fez para evitar esse embate? Enviou um diplomata sênior? Convocou os embaixadores? Costurou alternativas multilaterais? Não. Lula fez o que sabe fazer: transformou a crise em comício, a diplomacia em discurso ressentido, e a negociação em revanchismo ideológico.
O resultado é previsível: o dólar sobe, a inflação ameaça retornar, e o Banco Central precisa se armar para conter uma instabilidade que poderia ter sido evitada com prudência, não com palanque e ironia de botequim. Mais grave: o governo não parece preocupado com os efeitos econômicos da crise, mas sim em alimentar uma narrativa política. A estratégia é clara: apanhar, posar de perseguido e jogar a culpa no “Grande Irmão do Norte”, tentando sair como herói ferido de um embate que ele mesmo provocou.
Mas o Brasil amadureceu. Já entendemos o jogo. O nome disso é estratégia diversionista de quinta categoria, usada por governos que não têm plano econômico, não têm coesão diplomática e muito menos responsabilidade fiscal. E enquanto o presidente encena, o país afunda. Afunda o agronegócio com regulações absurdas e hostilidade institucional. Afunda o setor de pesca com ausência total de articulação internacional. Afunda a indústria do aço e do ferro com uma guerra comercial insustentável.
Tudo isso em nome de vaidade, de revanche política, de puro populismo. Lula prefere ter razão a ter solução. Prefere lacrar a liderar. É um governo que, diante de um conflito global, age como um sindicalista de porta de fábrica dos anos 80, com gritos, slogans e nenhuma proposta viável.
E, no fim, não é Trump quem está punindo o Brasil. É o próprio governo Lula que está aplicando a pior das tarifas: A tarifa do isolamento, da incompetência econômica e da birra ideológica. Enquanto o mundo civilizado se conecta para proteger suas economias, o Brasil se fecha em um bunker ideológico, briga com parceiros comerciais históricos e aposta que a retórica é mais eficaz que a estratégia. Mas o mercado não vota. O mercado responde. E o Brasil, infelizmente, já está pagando a conta.




