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Editorial: A voz embargada, os nomes na mesa e o tabuleiro virando sem pedir licença

Tem cena que nem roteiro de cinema consegue reproduzir. O governador Fábio Mitidieri subiu ao palco nos 171 anos de Aracaju, pegou o microfone e a voz… travou. Não era só emoção de quem ama a cidade, era a política batendo na porta com força. E quando a voz embarga em público, meu amigo, não é garganta, é cenário. É aquele momento em que até o silêncio começa a discursar.

E não adianta fingir surpresa, porque essa novela já vinha sendo anunciada nos bastidores. Desde que Valmir de Francisquinho voltou ao jogo com elegibilidade garantida, o clima mudou. Mudou no café, mudou nos corredores, mudou até na forma como certos aliados passaram a olhar para o futuro. O que antes era estabilidade virou interrogação. E política não perdoa dúvida, ela corre para onde há certeza.

Aí entra o capítulo que todo mundo já comenta baixinho, mas que agora começa a ser dito em voz alta. A chapa que está sendo costurada com linha grossa e café quente: Valmir de Francisquinho com Priscila Felizola. É interior com capital, é voto raiz com imagem, é aquela mistura que não precisa de PowerPoint para convencer. E o mais interessante, ninguém está anunciando oficialmente, mas todo mundo já trata como realidade de bastidor.

E enquanto essa engrenagem gira, o governismo segue naquele modo clássico que todo sergipano conhece. Negação elegante. Tipo relacionamento que já acabou, mas a pessoa ainda posta foto antiga dizendo que está tudo bem. Enquanto isso, Priscila já atravessou a rua faz tempo, já pegou o elevador político e, pelo visto, já está escolhendo até a xícara do café na nova sala.

Do outro lado, surge mais uma peça nesse tabuleiro que resolveu acordar cedo. Ricardo Marques aparece como outro nome da oposição, ainda sem vice definido, mas já se movimentando, conversando, testando terreno. E política é isso, quem se mexe antes ocupa espaço. Quem espera demais vira lembrança. E ninguém quer ser lembrado antes da eleição.

E o mais curioso de tudo é ver como aquele grupo que alguns já chamavam de “acabado” resolveu fazer o básico bem-feito. Conversar, aparecer, articular, se reunir. Política raiz, sem frescura. Enquanto uns apostam em discurso, outros estão apostando em presença. E presença, no fim das contas, vira voto. E voto, como todo mundo sabe, não aceita desaforo nem ilusão.

No fim, o que se viu nos 171 anos de Aracaju não foi só uma comemoração. Foi praticamente um trailer do que vem por aí. A voz embargada de Fábio não foi só emoção, foi sinal. Sinal de que o ciclo começa a cansar, de que novas chapas estão ganhando forma e de que Sergipe já começou, devagarzinho, com aquele sorriso de canto de boca, a trocar o disco.

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