Na teoria, o símbolo do PSB é bonito, uma pomba branca carregando um galho de oliveira, símbolo clássico da paz, quase uma releitura bíblica da arca de Noé. Na prática, em Sergipe, a cena parece outra, a pomba está cansada, com o bico pesado e o galho virando um fardo político. Porque convenhamos, pomba não come galho de oliveira, e partido não vive só de símbolo bonito quando o fundo partidário não acompanha.
A crise começou a dar sinais quando João Campos desembarcou em Sergipe com direito a tapete estendido, selfie política e clima de convenção animada. Jovem, promissor, cercado de expectativa… só faltou combinar com o fundo partidário. Porque discurso teve, foto teve, sorriso teve, mas quando o assunto chegou no dinheiro que sustenta campanha, silêncio de igreja em dia de semana.
Veio com a missão de renovar o PSB, reorganizar a casa e mirar 2026, com Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin no radar político, mas saiu deixando uma pergunta simples no ar, quem paga a conta? Não alinhou estratégia local, não garantiu estrutura e não disse se o partido aqui teria musculatura financeira ou só boa vontade. Resultado, o que era para ser segurança virou aquele famoso “vamos vendo”.
E em política, quando o líder é bonito, chega com discurso lindo e vai embora sem abrir o cofre, o efeito é imediato. A militância aplaude, os pré-candidatos suam frio e os articuladores começam a procurar saída. Porque ninguém faz campanha com aplauso e promessa. Aí nasce a diáspora, silenciosa, elegante e altamente eficiente. A pomba voa… mas voa para outro galho.
E foi aí que a revoada começou. Anderson de Zé das Canas, com seu visual… digamos… exótico, daqueles que você não esquece nem querendo, e um chapéu que mistura João Alves Filho com político de última geração, entrou no modo peregrino partidário. Foi atrás de Alessandro Vieira no MDB, mas a conversa não rendeu nem café. Deu uma espiada no PSD, viu Fábio Reis e Katarina Feitosa nadando de braçada e pensou, aqui já tem dono, não vou disputar condomínio cheio. Resultado, fez o que político prático faz, largou a pomba, ajustou o chapéu e foi procurar quem resolve de verdade, porque em eleição, meu amigo, feio é perder voto, o resto é estilo.
Nesse cenário, surge André Moura, aquele articulador que não vende sonho, entrega combinado. O velho ditado encaixa como luva, o acordado não sai caro. Tudo indica que Anderson das Canas deve pousar no União Brasil, deixando a pomba do PSB no meio do voo. E quando a pomba começa a perder passageiro, não é turbulência… é abandono de aeronave.
Enquanto isso, outro nome que parecia pedra fundamental do PSB começa a olhar para a porta de saída. Cláudio Mitidieri, tratado como puxador de votos, candidato de estrutura e aposta de bastidor, começa a recalcular rota. Já tem gente que apostava nele como fenômeno eleitoral, agora já vê o cenário com preocupação. E o próprio Cláudio, dizem nos bastidores, já sentou, deu aquela “dorzinha” clássica de quem para, respira, coça a cabeça e pensa, será que entro mesmo nessa ou é melhor sair pela tangente e desistir da pré-candidatura? Porque quando até quem era certeza começa a duvidar, é porque o barco não só faz água… já tem gente procurando colete salva-vidas.
E a tentativa de reforçar o time beira o desespero estratégico. Cláudio ligando para o grupo de Gracinha de Itaporanga, tentando trazer reforço, mas recebendo como resposta um elegante “fico onde estou”. Gracinha preferiu os Republicanos, ao lado de Valmir de Francisquinho, Edvan Amorim e companhia. Tradução, preferiu voto garantido a promessa incerta.
E se Cláudio realmente migrar para o PSD, o efeito dominó começa a bater forte. Quem sente primeiro é Katarina Feitosa, que hoje estaria confortável como segunda força do partido. Com a chegada de outro puxador pesado, o jogo muda, a conta aperta e a matemática eleitoral vira um problema de segundo grau daqueles que nem calculadora resolve fácil.
No meio disso tudo, o governador Fábio Mitidieri observa um cenário bem diferente de 2022 e 2024, quando todo mundo queria estar por perto. Hoje, a turma já pensa duas vezes, olha pesquisa, mede risco e escolhe com mais cautela. Porque política é assim, quando o vento muda, até a pomba mais fiel procura outro galho.
No fim, a imagem é quase uma fábula moderna. A pomba da paz, cansada, com o galho pesado demais, começa a perder altitude. E enquanto ela tenta se manter no ar, os passageiros já pularam para outras rotas mais seguras. Sergipe assiste, meio rindo, meio preocupado, a essa revoada desorganizada. Porque uma coisa é certa, quando a pomba para de voar, alguém já está preparado para assumir o céu.




