Nos últimos meses, um zum-zum-zum insistente voltou a circular nos bastidores da política sergipana: a suposta possibilidade de que o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Ulices Andrade, pudesse compor como candidato a vice-governador na chapa de Fábio Mitidieri. O boato, mais uma vez, foi alimentado por especulações de “fontes respeitáveis” mas, como toda meia-verdade na política, não passa de ficção mal contada.
É preciso deixar claro e definitivo: Ulices Andrade nunca foi candidato a governador em 2022 e jamais acalentou projeto de ser vice. O próprio conselheiro tratou de rechaçar a invenção em um artigo muito bem escrito pelo jornalista Jozailto Lima, afirmando com letras garrafais que “esta chance não existe jamais”. E completou: “a hora e a vez são do deputado Jeferson Andrade, que vem construindo entendimentos políticos neste sentido”.
Esse ponto é crucial: o candidato é Jeferson Andrade, filho de Ulices. É ele quem, com legitimidade, preparo e articulação, vem pavimentando sua trajetória. E qualquer tentativa de deslocar Jeferson para insinuar o pai em seu lugar não apenas distorce a realidade, mas fere os próprios interesses políticos de Jeferson, como bem destacou Ulices.
Convém recordar que Ulices Andrade não é novato nesse jogo. Deputado estadual por quatro mandatos consecutivos, ex-presidente da Assembleia Legislativa, interlocutor privilegiado de governos como os de Albano Franco, João Alves e Marcelo Déda, ele sempre se manteve como um mestre da articulação política sergipana. Quando foi chamado ao Tribunal de Contas, não foi para se esconder, mas para servir à causa pública em outra trincheira, a do controle, da responsabilidade e da integridade administrativa.
Não é à toa que quem conhece Ulices o chama de “o Coringa da política sergipana”: sabe enxergar o tabuleiro além das fronteiras imediatas, antecipa movimentos, articula em silêncio e constrói com discrição. Mas ser o “Coringa” não significa ser candidato a tudo. Muito pelo contrário: significa saber exatamente onde estar e, principalmente, onde não estar.
As especulações de que Ulices seria “plano B” de Mitidieri repetem um enredo antigo. Já em eleições passadas, quiseram colar nele a pecha de candidato ao governo do Estado. Ele negou repetidas vezes e a história mostrou que estavam errados. O tempo provou, mais uma vez, que Ulices fala pouco, mas cumpre o que diz.
O fato é simples e cristalino: Ulices Andrade não é candidato a nada. Cumpre seu ônus como conselheiro, com seriedade e competência técnica. Quem está em campo, quem articula, quem disputa espaço e quem tem o nome posto é Jeferson Andrade. Ulisses já fez sua parte; agora é a vez do filho.
Claro que, pela sua trajetória, se um dia fosse chamado novamente às urnas, como vice ou como governador, ninguém ousaria duvidar da sua capacidade. Ulisses tem biografia, tem preparo, tem autoridade moral. Mas essa hipótese não existe hoje. O presente é de Jeferson, e Ulices, com a serenidade de quem já conhece cada curva da estrada, apenas observa e orienta.
Em política, silêncio às vezes é ouro. Mas quando a especulação passa a arranhar reputações, a palavra se impõe. E Ulices Andrade já falou: não é candidato, nem a vice, nem a governador. Ponto final.
Vide texto de Jozailto Lima:




