A pauta da anistia, finalmente, chega ao plenário. Mas não se iluda: o que veremos amanhã não é um ato de justiça, mas uma encenação de conveniências. O presidente da Câmara, Hugo Motta, cansado de segurar a pressão bolsonarista, resolveu abrir espaço. Vai pautar a urgência da anistia. Mas, como bom político do centrão, já deixou claro que não apoia o perdão total, aquele que devolveria a elegibilidade a Jair Bolsonaro.
É a mesma coreografia de sempre: acena à base radical com o anúncio, sinaliza ao Planalto que pode recuar no conteúdo e, no meio disso, negocia cargos, emendas e mais fatias do Orçamento. Nesse tabuleiro, a anistia é menos sobre justiça e mais sobre barganha.
Do outro lado, o governo de Lula organiza reação. Gleisi Hoffmann já chamou ministros para barrar a urgência. O discurso é direto: “anistia é imoral e inconstitucional”. Em outras palavras, a esquerda não pretende permitir que Bolsonaro e aliados recuperem fôlego no plenário. O Planalto ameaça cortar cargos e travar emendas de quem votar contra. Democracia à brasileira: voto livre, mas dentro da cartilha oficial.
Enquanto isso, no Senado, Davi Alcolumbre posa de moderador. Trabalha por uma versão “light”: nada de perdão geral, apenas redução de penas. É o centrão gourmet, servindo prato morno para não irritar STF nem bolsonaristas.
E Sergipe? A fotografia da bancada é esta: a favor: Rodrigo Valadares e Thiago de Joaldo; contra: João Daniel (PT), alinhado ao Planalto; indecisos: Delegada Catarina Freitas, Yandra Moura, Gustinho Ribeiro e Fábio Reis; ausente por motivo de saúde: Ícaro de Valmir. Ou seja, metade segue no muro, como equilibristas da política sergipana.
Vale lembrar: o Brasil já anistiou muito mais do que manifestantes políticos. A Lei da Anistia de 1979 devolveu direitos a José Dirceu (acusado de assaltos a banco), Fernando Gabeira (participou do sequestro do embaixador americano), José Genoíno (guerrilha do Araguaia) e até Carlos Marighella (póstuma), considerado inimigo nº 1 da ditadura. Trouxe de volta artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Milton Nascimento, Henfil e Paulo Freire, perseguidos e exilados. E, do outro lado, beneficiou Brilhante Ustra e diversos militares acusados de tortura e assassinatos. Já se perdoou guerrilheiro, cantor, político e até torturador.
Comparado a isso, discutir anistia para quem quebrou vidraça ou invadiu o Congresso parece detalhe histórico. Amanhã, quando os deputados votarem a urgência, não decidirão apenas a velocidade do projeto. Será um raio-x da força real da bancada pró-anistia contra a resistência governista.
E aqui está o ponto central: a anistia por crimes políticos do 8 de janeiro não é apenas questão jurídica. É um passo essencial para a pacificação nacional. Negar o perdão agora seria incoerente com a história. A democracia só se fortalece quando também sabe perdoar.
Eis a verdade final: a anistia não é maquiagem para enganar a população, é o único remédio capaz de fechar uma ferida que insiste em sangrar. Negar o perdão é manter os polos inflamados, berrando e faturando em cima do conflito. A anistia, ao contrário, devolve paz social, permite que vidas sejam reconstruídas e que o país siga em frente. Perdão, desta vez, não é ao eleitor que paga a conta: é ao Brasil que precisa respirar sem viver eternamente de ódio.





Respostas de 2
No meu entender ou libera a Anistia geral, plena e Irrestrita ou nada, deixa o pau quebrar nas costa dessa esquerda comunista terrorista e genocida, se abrir mão de Bolsonaro em 2026 o Brasil vai continuar nas mãos dos bandidos terroristas e ladrões, o pais vai continuar eternamente no fundo do poço
E o que o Brasil estar passando por esta insegurança jurídica vem sendo preparada por longos anos .sendo aparelhada todas as instituições e só agora é só agora após o governo de Bolsonaro e que despertou o gigante abormecido quase tarde demais . Esperamos que não seja presiso uma revolução pra colocar no eixo.