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Editorial: Katarina na Câmara, Ribeiro na Alese

Nos bastidores da política sergipana, onde as decisões mais importantes quase nunca são anunciadas em voz alta, começou a circular uma imagem que rapidamente deixou de ser metáfora e passou a ser leitura estratégica. A dupla CHiPs, aquela do final dos anos 70 e começo dos anos 80, voltou à pauta não por nostalgia gratuita, mas porque traduz com precisão uma jogada política em curso. Duas figuras da segurança pública, funções complementares, confiança mútua e um objetivo claro. Eleição.

Transportada para Sergipe, a comparação ganha contornos muito concretos. De um lado, a delegada e deputada federal Katarina Feitosa, nome consolidado da segurança pública e peça central do projeto do PSD para manter, com folga, duas cadeiras na Câmara Federal. Do outro, o comandante da Polícia Militar, Coronel Alexsandro Ribeiro, que surge como aposta natural para a disputa estadual, com base real, tropa organizada e forte capilaridade eleitoral. Eles não patrulham de moto pelo Palácio Olímpio Campos, mas dividem algo raro na política contemporânea. Autoridade construída fora do marketing.

A segurança pública, hoje, é o principal ativo político do Estado. Sergipe consolidou uma virada histórica e se tornou, de forma consistente, o Estado mais seguro do Nordeste, figurando entre os mais seguros do Brasil. Isso deixou de ser discurso e virou dado. E dado, quando se repete, vira voto. O eleitor pode até esquecer promessa, mas não esquece a tranquilidade de viver em um Estado onde a segurança funciona. Esse é o alicerce do projeto eleitoral do governador Fábio Mitidieri, que acertadamente decidiu ancorar sua estratégia na continuidade da segurança pública.

É nesse ponto que a dobradinha ganha sentido político claro. Katarina representa a segurança no plano federal, com trânsito em Brasília, experiência administrativa e mandato consistente. Ribeiro representa a segurança no plano estadual, com comando, presença e base concreta. A entrada do comandante na disputa para deputado estadual não é um movimento isolado. É uma engrenagem que fortalece toda a estrutura.

O cálculo eleitoral é simples e conhecido nos corredores do poder. A Polícia Militar reúne cerca de dez mil homens entre ativa e reserva. Se apenas metade desse contingente se engajar politicamente, algo absolutamente plausível, e cada um trouxer mais dez votos, o resultado é direto. Cinquenta mil votos. Isso coloca Ribeiro com extrema tranquilidade na Assembleia Legislativa e projeta Katarina para patamares eleitorais ainda mais altos, superando com folga a votação que já obteve anteriormente. Para o PSD, significa segurança matemática na manutenção de duas cadeiras federais.

Mais do que números, há um efeito político imediato. A entrada de Ribeiro na disputa estadual abre naturalmente os quartéis para Katarina. Não por imposição, mas por identidade. Polícia Civil e Polícia Militar falando a mesma língua, cada uma no seu campo, sem disputa de protagonismo. Com o apoio técnico e institucional do secretário João Eloy, o desenho se completa. A segurança pública passa a ter dois representantes diretos e alinhados. Uma delegada no campo federal, um policial militar no campo estadual.

A comparação com CHiPs, nesse contexto, deixa de ser apenas bem-humorada e vira leitura estratégica. Assim como na série, não importa quem está na frente da estrada ou quem segura o rádio. Importa saber que ninguém patrulha sozinho. Katarina atua na legislação, no orçamento e na articulação nacional. Ribeiro sustenta a base, a rua, o policiamento e a presença do Estado. Um organiza, o outro executa. Um projeta, o outro garante.

Não por acaso, essa dupla já vem causando um frenesi silencioso no meio político. Não é barulho de palanque, é inquietação de bastidor. A sensação de que há uma jogada bem pensada em curso. Planejada, coerente e com lastro em resultados concretos. CHiPs saiu da televisão há décadas, mas a lógica nunca envelheceu. Dois policiais, cada um cuidando do seu trecho da estrada, garantindo que a viagem termine bem. Em Sergipe, essa reprise não passa na TV. Passa nas urnas.

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