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Editorial: Fábio emagreceu, mas os empréstimos do governo não param de engordar!

O governador Fábio Mitidieri conseguiu uma transformação que muita gente persegue: perdeu peso, afinou a silhueta e apareceu mais enxuto. Parabéns! O problema é que, enquanto o governador emagrece, os pedidos de empréstimos do governo parecem frequentar um rodízio financeiro sem hora para acabar. Dois novos projetos encaminhados à Assembleia Legislativa somam cerca de R$ 1,4 bilhão em autorizações para operações de crédito. Segundo levantamento divulgado ontem, quinta-feira, as autorizações acumuladas na gestão poderiam ultrapassar R$ 5,3 bilhões. É dinheiro para deixar qualquer calculadora com falta de ar! Mas atenção: autorização não é dívida contratada. Ainda assim, Sergipe precisa saber quem vai pagar essa conta, quais serão os juros e por quantas décadas o contribuinte continuará frequentando a academia da austeridade para eliminar os excessos fiscais de hoje.

O governador costuma apresentar as finanças estaduais como saudáveis. Ótimo! Mas aí surge uma pergunta que nem o melhor nutricionista das contas públicas consegue responder sem examinar o cardápio: se o organismo financeiro do Estado está tão bem, por que essa fome de empréstimos? Entre janeiro e agosto de 2026, a arrecadação tributária cresceu 9%, enquanto as despesas liquidadas avançaram 13%. A receita total aumentou cerca de R$ 593 milhões, mas os gastos cresceram R$ 1,413 bilhão. O governo destaca R$ 952 milhões em investimentos e um endividamento equivalente a apenas 7,04% da receita corrente líquida no fim de 2025. São indicadores que precisam ser considerados. Mas uma coisa é ter capacidade para tomar crédito; outra é transformar empréstimo em sobremesa obrigatória depois de cada refeição orçamentária. Fábio conseguiu emagrecer. Agora precisa mostrar que também sabe controlar o apetite financeiro do governo.

E enquanto o Palácio dos Despachos discute bilhões, o interior enfrenta a seca, com 13 municípios em situação de emergência. A população quer água nas torneiras, adutoras funcionando, reservatórios, produção rural protegida e serviços públicos eficientes. Não quer apenas uma coleção de contratos com fotografias bonitas e prestações intermináveis. Quantos desses bilhões serão efetivamente destinados à segurança hídrica? Quais obras têm projeto, prazo, orçamento e garantia de conclusão? A Assembleia Legislativa não pode funcionar como uma churrascaria de crédito, onde o Executivo escolhe o prato, os deputados liberam o buffet e o contribuinte recebe a conta sem sequer ter participado do almoço. Tribunal de Contas, Ministério Público de Contas e demais órgãos competentes precisam acompanhar cada operação. Empréstimo público exige fiscalização, não aplauso automático.

Agora imagine Sergipe em 2036. É uma projeção hipotética, não um fato consumado. Fábio poderá estar ainda mais magro, elegante e exibindo fotografias de sua transformação. Mas o Estado? Esse corre o risco de descobrir que o banquete financeiro de 2026 deixou uma indigestão de dez anos. O governador de amanhã poderá herdar prestações, juros e compromissos que reduzirão sua liberdade para investir. Evidentemente, empréstimos bem negociados e aplicados em obras produtivas também podem gerar desenvolvimento e benefícios duradouros. Por isso, a questão não é demonizar o crédito, mas exigir responsabilidade. O desafio de Fábio é provar que sabe fazer com o orçamento o que fez com a própria silhueta: eliminar excessos, preservar a saúde e pensar no futuro. Porque, governador, tem uma diferença fundamental entre perder peso e deixar uma dívida pesada: a primeira transformação merece elogios; a segunda pode condenar os próximos governos a uma dieta de pão, água e juros. Fábio emagreceu. Falta saber se Sergipe também ficará financeiramente em forma ou se o contribuinte herdará a conta de um banquete ao qual nunca foi convidado.

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