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Editorial: Fábio está no centro da foto, mas André ajuda a segurar a moldura

Há uma pergunta que talvez ninguém no Palácio tenha muita vontade de responder em voz alta: quem precisa mais de quem nesta eleição, Fábio Mitidieri de André Moura ou AM de FM? Fábio tem governo, caneta, estrutura institucional e tenta acrescentar Lula à fotografia. André tem outra moeda, menos fotogênica e muitas vezes mais útil em eleição: telefone de prefeito, vereador, liderança municipal, partido organizado e uma agenda que atravessa Sergipe sem precisar pedir autorização ao cerimonial.

A dimensão dessa musculatura não é apenas conversa de corredor. A própria pré-campanha de André divulgou ter construído adesões de 61 dos 75 prefeitos sergipanos. Em março, uma recepção a ele reuniu prefeitos, vereadores, deputados e lideranças do interior, e o próprio Fábio fez questão de lembrar publicamente que André estava na coordenação da campanha que o levou ao governo em 2022. Traduzindo do politiquês para o português: Fábio conhece muito bem a utilidade eleitoral de André porque já ganhou uma eleição com ele ajudando a montar a engrenagem.

É por isso que a velha história de que André estaria simplesmente pegando carona no governador começa a ficar curta demais para explicar a fotografia. André chega com estrutura própria e capacidade de articulação demonstrada. Fábio ocupa o Palácio, naturalmente, mas palácio não aperta mão, não liga para vereador às onze da noite e não descobre quem controla duzentos votos num povoado que o Google Maps quase esqueceu. Para isso existe a política de carne, osso e WhatsApp. E nesse esporte André acumula quilômetros.

Curiosamente, a relação já teve seus ruídos. Em fevereiro, havia registro público de especulações sobre possível estremecimento entre os dois, embora depois Fábio e André tenham feito demonstrações públicas de unidade. Ou seja, não é necessário inventar novela mexicana. A política sergipana já entrega o roteiro, os atores e até a trilha sonora AM/FM.

O mais divertido é imaginar o exercício contrário. Fábio sem André ainda seria governador, teria máquina, alianças e seu próprio capital eleitoral. Mas seria exatamente o mesmo candidato em termos de articulação municipal? Essa é a pergunta incômoda. Porque André não parece ser daqueles aliados que chegam à campanha perguntando onde vão sentar. Ele costuma chegar trazendo algumas cadeiras.

Hoje, a coordenação formal da campanha de 2026 também conta com nomes como Luiz Roberto, que deixou a Sedurbi para integrar a estrutura eleitoral, enquanto Cleon Nascimento ocupa papel central na comunicação. Portanto, seria incorreto chamar André de coordenador formal desta campanha sem essa ressalva. Mas politicamente sua função parece maior que qualquer crachá: ele é candidato ao Senado e, ao mesmo tempo, um dos principais articuladores da coalizão. Fábio está no centro da fotografia porque é o candidato à reeleição. André, entretanto, aparece cada vez mais perto da moldura, dos pregos e até da parede. E político inteligente sabe que aliado forte é maravilhoso. O problema começa quando alguém olha a fotografia e pergunta, baixinho, quem é que está sustentando quem.

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