Tem gente que, para aparecer, escolhe o trabalho. Outros escolhem o microfone. O vereador Nitinho Vitale claramente preferiu a segunda opção. Ao subir na tribuna da Câmara de Aracaju, resolveu ensinar turismo para Alagoas e disparou a pérola que já entrou para o folclore político nordestino: “Maceió hoje é uma favela… a orla de Maceió virou uma favela”. Pronto. Bastou isso para conseguir o que queria: repercussão. O problema é que veio do jeito errado, com vaia nacional e ingresso gratuito para o constrangimento público.
Dizer que a orla de Maceió é favela é como ir a Paris e reclamar da Torre Eiffel porque ela tem ferro demais. É o tipo de comentário que não revela defeito no destino, revela apenas desconhecimento no turista. Maceió não é chamada de Caribe brasileiro por caridade institucional. É uma das orlas mais bonitas do país, reconhecida nacionalmente, com turismo forte, ocupação hoteleira alta e uma imagem consolidada que fala sozinha. Quem tenta diminuir isso, no mínimo, precisa atualizar o GPS.
E o mais curioso é que Nitinho fez isso tentando defender Aracaju. Como quem diz: “vamos proteger nossa orla para não ficar igual à deles”. Só esqueceu um detalhe básico da política inteligente: elogiar sua casa não exige xingar a casa do vizinho. Exaltar Aracaju diminuindo Maceió foi uma jogada tão desastrada quanto tentar vender guarda-chuva no deserto. Resultado: conseguiu irritar Alagoas inteira e ainda abriu espaço para comparações nada confortáveis com problemas da própria orla aracajuana.
A Prefeitura de Maceió respondeu com a elegância de quem sabe que a imagem fala mais alto que a birra. Publicou vídeo, mostrou a cidade e resumiu tudo com um recado simples: “a melhor orla do Brasil fica em Maceió”. Sem grito, sem desespero, só com mar azul, água cristalina e aquela tranquilidade de quem sabe que não precisa discutir com quem claramente não conhece o lugar.
Os vereadores de lá também não deixaram barato. Leonardo Dias rebateu publicamente, David do Emprego protocolou moção de repúdio, e a internet fez o resto. O Instagram de Nitinho virou ponto turístico da indignação popular. Comentários chamando a fala de preconceituosa, elitista, desrespeitosa e até aporofóbica dominaram o cenário. Em resumo: ele tentou criticar uma orla e terminou sendo arrastado pela maré da própria declaração.
Até a secretária de Turismo de Sergipe, Daniela Mesquita, precisou entrar em campo para emitir nota de solidariedade à população de Maceió. Quando até o próprio Estado precisa pedir desculpas diplomáticas pelo que você falou, talvez seja um sinal sutil, bem sutil, de que houve exagero. Turismo, afinal, se constrói com diálogo, não com rivalidade de boteco transformada em discurso oficial.
E se Djavan estivesse ouvindo isso, certamente soltaria um “Maceió, minha sereia… Maceió…” e depois pararia a música no meio só para perguntar: “meu amigo, você realmente falou isso?”. Porque chamar a orla de Maceió de favela não é só uma fala infeliz, é quase um atentado contra a poesia nordestina. Djavan, alagoano de alma e de mar, certamente estaria muito irritado com Nitinho, vendo sua cidade ser tratada com esse desprezo raso e sem fundamento.
E o pior é que não estamos falando de qualquer cidadão desavisado de rede social. Estamos falando de alguém que já ocupou cadeira de deputado federal, que deveria olhar o Brasil de forma mais ampla, mais equilibrada e mais respeitosa. Quem representa o povo não pode agir com visão pequena de quintal, como se defender Aracaju exigisse atacar Maceió. Isso não é patriotismo local, isso é falta de grandeza política. E, convenhamos, até Djavan desafinaria diante de uma declaração dessas.
No fim, Nitinho conseguiu uma proeza rara na política: conseguiu desagradar uma capital inteira e ainda transformar Maceió em seu maior comitê eleitoral… contra ele. Virou persona non grata sem precisar nem pedir visto. E não se engane: alagoano que mora em Aracaju vota, comenta, lembra e faz campanha. E faz campanha com gosto. Muitos desses, depois dessa fala infeliz, dificilmente colocarão o nome dele na urna. Em política, ofender uma cidade turística inteira não é estratégia, é suicídio eleitoral com vista para o mar.
Se queria aparecer, havia caminhos mais inteligentes. Poderia apresentar projeto, resolver problema real de Aracaju, discutir mobilidade, saúde, segurança ou até a própria orla da Atalaia sem precisar atacar a dos outros. Preferiu subir na tribuna para dizer que “Maceió virou favela” e acabou virando piada interestadual. Como diria Djavan em “Mundo Vasto”, “sem apoio o bicho é brabo”. Porque falar mal da praia dos outros e esquecer os buracos da própria rua costuma custar caro. A maré agora virou e arrastou o vereador.





Respostas de 2
Carambaaaa!!! Pois é…e num ano de eleição não vai dar tempo do povo se esquecer desta mancada, com certeza ele terá menos votos, e aquele candidato que atua no turismo vai herdar muitos votos que seriam dele. Se lascou!!! Kkk
Não esta na mídia, procurou do jeito que ele quis, apareceu e serviu de anarquia, como um. Vereador faz uma besteira dessa, mostra o conhecimento que tem, já nao tinha ibope, agora apagou.