A política sergipana acaba de assistir a um gesto que parece roteiro de aproximação política: Rogério Carvalho, senador do PT, articulou na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado a liberação de US$ 53,6 milhões (cerca de R$ 280 milhões) do Banco Mundial para Sergipe. O dinheiro vai irrigar o programa CONECTA-SE, aquele pacote com cara de futuro, recheado de inclusão digital, modernização dos serviços públicos e energia eficiente. Até aí, aplausos. Mas o que está por trás desse cheque gordo é mais saboroso que o contrato em si: a reaproximação entre Rogério Carvalho e Fábio Mitidieri.
Sim, meus caros: é verdade que Rogério Carvalho e Fábio Mitidieri nunca tiveram uma relação de proximidade fraternal, mas sempre mantiveram um bom relacionamento político e institucional. Era uma convivência de respeito, marcada por convergências estratégicas e momentos de parceria. Depois vieram as divergências, mágoas e afastamentos, como em qualquer divórcio político, cada lado sustentando sua versão da culpa. Só que agora, como em toda boa novela, as cenas parecem estar mudando: voltaram a trocar gestos de cordialidade e… quem sabe? Podem até ensaiar uma reconciliação no futuro.
O gesto de Rogério, empurrando o financiamento internacional para Sergipe, é mais do que burocracia de plenário em Brasília. É ato político. É uma benção. É como mandar flores caras depois de uma briga feia: não resolve tudo, mas abre a porta para um café, quem sabe um jantar, quem sabe… um novo casamento.
Fábio Mitidieri, até pouco tempo atrás, mantinha restrições claras a Rogério Carvalho. Já havia deixado escapar que, para o senado, seu primeiro nome era André Moura, o político sergipano que saiu de Aracaju para conquistar Brasília, hoje acumulando três secretarias no governo do Rio de Janeiro e trânsito livre nos corredores do poder. André é o noivo certo na festa, o articulador habilidoso que todo mundo quer ao lado. Mas o segundo nome ao senado, ah, esse segue guardado na gaveta do governador. E é justamente nesse silêncio que Rogério começa a se insinuar.
Afinal, Fábio já deixou claro meses atrás: seu candidato a presidente é Lula. Não por amor incondicional, mas por pragmatismo político: convênios e verbas federais não se conquistam com birra, mas com aliança. E com Márcio Macêdo, ministro do PT, colado no governo estadual, a ponte com Rogério nunca esteve tão bem iluminada.
Então, o que temos diante dos olhos: Um Rogério Carvalho que deixa as mágoas de lado e abre o cofre para Sergipe. Um Fábio Mitidieri que respira fundo, observa, calcula e mantém silêncio estratégico. Um André Moura já sacramentado como primeira escolha ao senado, ocupando o papel de articulador principal. Um Alessandro Vieira rondando, testando águas, mas ainda sem assento definitivo nessa mesa de pôquer.
No fundo, o recado é claro: a política é um casamento de conveniências, e em Sergipe o altar nunca fica vazio por muito tempo. Rogério e Fábio já mostraram que sabem andar juntos. Separaram-se, guardaram rancores, mas agora começam a ensaiar passos na mesma direção.
Será que veremos a volta do casal? Talvez sim. E, se essa reconciliação for consumada, que ninguém se engane: ela não nasce de romance, mas de cálculo frio, de sobrevivência política e de poder. Porque em Sergipe, como no Brasil, amor eterno mesmo só existe no discurso; na prática, o que manda são as conveniências políticas e que seja para o bem dos sergipanos




