Nos bastidores da política sergipana, quando uma candidatura começa a ganhar corpo, o roteiro é sempre o mesmo: primeiro vem o silêncio, depois o incômodo e, em seguida, o ataque. Foi assim que o nome de André Moura, ex-deputado federal e presidente estadual do União Brasil, voltou ao centro das manchetes. Não por novos fatos, mas por velhos truques.
Pesquisas internas indicam que André Moura tem crescido de forma consistente, sobretudo em Aracaju, e desponta com força na disputa pelo Senado Federal. Isso, claro, acende o alerta vermelho em grupos que há anos se alimentam do poder e temem perder o controle da narrativa. A resposta foi imediata: plantar dúvidas, criar rótulos e espalhar versões. Nasceu, mais uma vez, o chamado marketing do mal, a fábrica de boatos a serviço da conveniência eleitoral.
Foi nesse contexto que, na CPMI do INSS, um deputado petista resolveu “ressuscitar” o nome de André, ligando-o a um depoente e até cunhando um apelido midiático: “O dono do INSS”. Um rótulo de efeito, criado sob medida para manchetes fáceis e debates rasos e que, como tantas vezes na política brasileira, carece de substância e de provas.
A realidade é bem menos cinematográfica: André Moura não é investigado, não é citado pela Polícia Federal e não possui vínculo com os fatos sob apuração. A tal “indicação” de 2017, usada como pretexto para o escândalo, segue o procedimento usual de qualquer líder partidário em Brasília, o de encaminhar nomes sugeridos por partidos ao Governo Federal. Isso não é crime. É rotina institucional.
Mais ainda: a própria filha de André, deputada Yandra Moura, assinou o pedido de criação da CPMI e cobrou publicamente apuração rigorosa. Se há algo que o episódio revela, é o oposto do que os detratores tentam pintar: há compromisso com a transparência.
Mas o que move esse ataque, então? A resposta é política e, convenhamos, bastante previsível. Quando um nome começa a despontar nas pesquisas, o roteiro se repete: surge o “escândalo”, o “vazamento”, o “escândalo do escândalo”. Tudo muito bem cronometrado, como se o acaso tivesse virado assessor de campanha. Há quem diga que o marketing do mal andou voltando ao batente, aquele tipo de estratégia que prefere criar fumaça a apresentar propostas. O estilo é o mesmo de sempre: ruído alto, argumentos fracos e uma pontinha de desespero no ar.
O eleitor sergipano, porém, já aprendeu a ler nas entrelinhas. Sabe distinguir investigação séria de armação eleitoral. Sabe quem trabalha e quem apenas grita. E sabe, acima de tudo, que o barulho aumenta na proporção direta do medo que certos grupos têm de perder espaço.
A tentativa de colar em André Moura o rótulo de “dono do INSS” é tão artificial quanto previsível. É a velha política travestida de denúncia, usada como cortina de fumaça para esconder o desespero de quem sente o poder escapar pelos dedos. Em Sergipe, o eleitor já viu esse filme e, como sempre, o final é o mesmo: a verdade chega, mesmo quando tentam afogá-la em lama eleitoral




