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Editorial: Pesquisa não elege ninguém, mas faz muito político perder o sono

A nova pesquisa registrada no TSE sob o número SE-00754/2026 colocou mais lenha na fogueira da sucessão estadual e fez muito gabinete trocar o café pela água com açúcar. Valmir de Francisquinho aparece com 44,59% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto o governador Fábio Mitidieri surge com 37,27%. Na espontânea, onde não tem cola nem nome soprando no ouvido, Valmir também lidera com 34,37% contra 26,06% de Fábio. Isso significa uma coisa simples: o nome de Valmir continua morando na cabeça do eleitor e pagando aluguel barato. 

E aqui mora o primeiro susto político. Governador sentado na cadeira normalmente gosta de liderar pesquisa como quem gosta de foto oficial: sorrindo e no centro. Quando o incumbente aparece atrás, o alerta toca até no grupo silencioso de WhatsApp dos aliados. Claro, Fábio ainda tem máquina, estrutura e o poder natural de quem governa, mas a espontânea mostra algo que marqueteiro nenhum consegue fabricar com pressa: memória popular. Valmir não está apenas bem colocado, ele está consolidado no imaginário do interior, e interior em Sergipe não é detalhe, é sentença antecipada.

Mas pesquisa em Sergipe também virou quase modalidade olímpica. Toda semana nasce uma, morre outra e algumas já saem com cara de aposentadoria precoce. Tivemos institutos questionados, levantamentos judicializados e números que pareciam mais desejo do contratante do que retrato do eleitor. Agora surge essa da JR Comunicações com 1.312 entrevistas presenciais em 31 municípios e margem de erro de 2,7 pontos. Pesquisa não é Bíblia, mas também não é bilhete de padaria. O problema é que por aqui muita gente lê pesquisa como torcedor lê tabela do campeonato: só acredita quando seu time está na frente. 

Outro dado que merece atenção é o tamanho do indeciso. Somando os que não sabem responder com brancos e nulos na espontânea, temos mais de 34% do eleitorado fora da decisão clara. Isso significa que a eleição ainda está longe de acabar e que muito prefeito ainda vai descobrir um amor repentino por determinado candidato. Em Sergipe, eleição se decide no palanque oficial, mas também na mesa do café, no posto de gasolina e naquele “deixe quieto que depois eu resolvo” do bastidor. O voto sergipano adora fazer suspense até os 45 do segundo tempo. 

No Senado, o cenário parece feira livre em sábado de manhã: muito barulho e ninguém sabe ainda quem vai levar a melhor. O Delegado André David lidera, Eduardo Amorim aparece forte, André Moura segue competitivo e Alessandro Vieira parece cada vez mais isolado no tabuleiro. Rogério Carvalho, apesar da vitrine nacional e do mandato, ainda não converteu tudo isso em liderança clara. O Senado virou terra sem dono, mas com muito corretor oferecendo terreno. E em política, quando a vaga está aberta, até quem estava aposentando discurso volta a sorrir para câmera.

No fim das contas, a pesquisa não entrega faixa para ninguém, mas entrega insônia para muita gente. Hoje o retrato mostra Valmir na frente e Fábio no retrovisor colado, com o motor ainda ligado. A eleição não acabou, mas também não aceita mais amadorismo. Quem continuar tratando pesquisa como detalhe pode descobrir tarde demais que o eleitor já escolheu o roteiro e só esqueceu de avisar o palácio. Em Sergipe, campanha começa muito antes da urna, e às vezes termina no silêncio de quem dizia que estava tudo sob controle.

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