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Editorial – Pré-Caju: termômetro político mais sincero de Sergipe

O Pré-Caju, mais do que um evento festivo, tornou-se um termômetro político de Sergipe e talvez o mais preciso deles. No asfalto quente da orla e nos camarotes, onde se misturam música, multidão, improviso e tradição, revela-se algo que pesquisas, discursos e marqueteiros frequentemente tentam mascarar: a autenticidade das relações políticas em ambiente real, sem filtro, sem convenção e sem mediadores. É o encontro entre o poder e o povo em sua forma mais espontânea. É tão excêntrico que o jornalista e César Gama diria: “No enredo político tudo é possível e nada deve ser ignorado.”


Sergipe tem essa peculiaridade quase antropológica: política e convivência social se entrelaçam com naturalidade. A cordialidade, marca histórica do estilo político local, reaparece a cada ciclo festivo. No São João, o encontro entre o governador Fábio Mitidieri e a prefeita Emília Corrêa foi sintomático: sorrisos, abraços, fotos e uma liturgia gentil que sugere harmonia, mas que sempre admite leitura mais profunda. O Pré-Caju, naturalmente, não fugiu ao padrão, apenas ampliou sua escala. Logo, Dr. Albano Franco já dissera no passado: “Em Sergipe todos se conhecem!”.


Fabiano Oliveira, consolidado como um dos principais articuladores culturais e do turismo do Estado, entregou mais uma edição impecável. E, como em toda festa que se converte em vitrine pública, houve destaque. André Moura, que circulou pelos camarotes com desenvoltura, foi a figura mais celebrada do evento. Sua capacidade de transitar entre segmentos diversos. Da institucionalidade à pipoca, reforça o que especialistas em política já sabem: presença física, em eventos de forte apelo popular, segue sendo um ativo eleitoral valioso. É tão óbvio que Diógenes Brayner diria: “Na política, quem sabe circular entre o camarote e a pipoca entende uma verdade antiga: o eleitor pode até esquecer o discurso, mas nunca esquece quem apareceu.


Edvaldo Nogueira, por sua vez, apareceu em registro distinto. Sozinho, simpático, em meio ao bloco de Bell Marques, recebeu manifestações espontâneas de apoio, incluindo o grito coletivo de “Volta, Edvaldo!”. Trata-se de um indicativo claro de que, mesmo fora do exercício do cargo, mantém relevância pública e boa memória política. Em tempos de avaliações voláteis, afeto genuíno é capital raro. Foi tão ensaiado que o radialista Carlos Ferreira teria narrado: “Isso todo mundo sabe. E aquele grito no Pré-Caju foi só um episódio isolado, não dá pra confundir animação de festa com força eleitoral.”


Mas o Pré-Caju também expôs equívocos. Uma influenciadora digital, ao ser confundida com a prefeita, respondeu chamando Aracaju de “cidadezinha”. A reação do público foi imediata, e compreensível. Aracaju tem desafios, como toda capital, mas reduzir sua importância revela mais sobre o interlocutor do que sobre a cidade. Em gestão pública, percepção pesa tanto quanto realidade, e desprezo, ainda que superficial, não passa despercebido. Comentaria Luiz Carlos Foca: “Chamar Aracaju de cidadezinha? Ôxe, deixe de onda. Isso não é opinião, é falta de senso. Quem solta uma dessas mostra logo que não conhece a cidade… e muito menos o povo arretado que vive nela.”


Ainda mais comentada foi a ausência do senador Alessandro Vieira. Justificativas superficiais, como a alegação de que “não gosta de festa”, não se sustentam diante do histórico. Alessandro já esteve presente em edições anteriores do Pré-Caju e em eventos relevantes do calendário regional. Num Estado onde visibilidade é parte substantiva da estratégia, ficar de fora de um evento dessa magnitude abre espaço para interpretações: distanciamento, cálculo político ou simples descompasso com o eleitorado. Em todos os casos, a comunicação perde. Escreveria Habacuque Vila Corte: “Veja essa… o senador Alessandro Vieira pode explicar o que quiser, mas no fim das contas ficou claro: quem some do Pré-Caju não evita desgaste, apenas confirma que perdeu o compasso do próprio eleitorado”.


Enquanto isso, no camarote do governador, dois atores dividiram atenção: André Moura e o ex-ministro Márcio Macedo. O gesto de cordialidade entre ambos, ainda que breve, tem peso simbólico. A política sergipana é construída também em diálogos informais, em encontros laterais e em movimentos que precedem anúncios formais. A presença simultânea dos dois não passou despercebida e não deveria. Pensaria o jornalista Cláudio Nunes: “É isso aí: política de verdade não acontece no discurso oficial, acontece nesses gestos que muita gente finge não ver. Quem entende de bastidor sabe que esse encontro vale mais do que qualquer coletiva ensaiada”.


No fim, o Pré-Caju mostrou, mais uma vez, por que é um dos eventos mais simbólicos de Aracaju. A festa foi organizada, segura e acordou limpa antes do sol nascer. Mas, acima de tudo, revelou o que só o Pré-Caju revela: a relação verdadeira entre o povo e seus líderes. Ali, no meio da música e da multidão, surgem presenças que fortalecem, ausências que chamam atenção e gestos que falam mais do que discursos. Como diria Rita Oliveira: “ No Pré-Caju, a política se desnuda porque onde o povo se revela, as máscaras caem, e as mulheres sempre percebem primeiro”.


Antes de concluir, uma observação necessária: as falas atribuídas aos jornalistas neste texto são fruto da interpretação altruísta deste editorialista, baseadas no estudo do estilo e da forma de pensar de cada um. Se alguma leitura não corresponder exatamente ao que pensam, deixo aqui meu respeito e minhas desculpas. O objetivo foi apenas ajudar a compreender o movimento político revelado na avenida. No fim, o Pré-Caju não antecipa resultados, antecipa percepções. E, na política, percepção costuma ser o primeiro aviso.

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