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Editorial: Sergipe, a bomba-relógio da água e a resposta de um gestor

Sergipe lida com um desafio estrutural: o colapso momentâneo do sistema de abastecimento de água, após dois rompimentos consecutivos na Adutora do São Francisco, em Capela. Foram mais de 270 mil imóveis atingidos em Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros, revelando de forma contundente a vulnerabilidade de uma estrutura essencial que combina trechos antigos, manutenção irregular e dependência excessiva de um único eixo de captação. A crise não só interrompeu o fornecimento, como expôs o risco de que o modelo atual, dividido entre a gestão pública da Deso e a operação privada da Iguá, se transforme numa bomba-relógio para o futuro próximo.

Foi nesse cenário que se destacou a forma como o governador Fábio Mitidieri conduziu o episódio. Mesmo retornando de viagem ao exterior na segunda-feira, ele assumiu pessoalmente a coordenação do Comitê de Gerenciamento de Crises já na terça, demonstrando autonomia decisória, domínio técnico sobre os dados apresentados e rapidez na tomada de decisões. Não esperou relatórios frios nem reuniões protocolares: convocou prefeitos da Grande Aracaju, reuniu órgãos estaduais e determinou, de imediato, ações emergenciais e estruturais, impondo ritmo e centralizando as responsabilidades. Essa postura devolveu à gestão estadual o controle do processo e à população, a previsibilidade.

Graças à coordenação direta do governador, o sistema foi restabelecido em menos de 48 horas. Mas Fábio não limitou sua ação ao improviso: no mesmo dia em que encerrou o comitê, anunciou um pacote preventivo de medidas técnicas. Determinou uma auditoria independente na manutenção de todas as adutoras, a inspeção completa da malha da Deso e a revisão dos contratos de operação para reduzir riscos futuros. Também apresentou um plano de médio prazo com ações estruturantes: a ampliação da Estação de Tratamento do Poxim de 1.800 para 5.400 metros cúbicos por dia, a construção de uma nova adutora entre Propriá e Aracaju, a criação de pequenos reservatórios em rios sergipanos e a busca por recursos federais do PAC para a terceira linha da Adutora do São Francisco, considerada estratégica para garantir vazão e estabilidade a longo prazo.

Esse redesenho do planejamento hídrico também conta com apoio político. O deputado federal Gustinho Ribeiro, um dos articuladores da pauta territorial, tem trabalhado para aproximar municípios e bancada federal da agenda de segurança hídrica, defendendo investimentos federais e o aumento da vazão do sistema. Esse tipo de alinhamento institucionalfortalece as condições para que o plano deixe de ser apenas emergencial e se torne política pública permanente.

A atuação do governador combinou três fatores raros de ver juntos em gestão de crise: autonomia para decidir, precisão técnica para orientar e agilidade para executar. Não houve paralisia, nem transferência de responsabilidades, houve liderança. A crise expôs o tamanho do risco, mas também deixou claro que, com comando firme e decisões rápidas baseadas em dados verificáveis, é possível transformar uma ameaça estrutural em ponto de virada. A tarefa agora é avançar do controle emergencial para a prevenção duradoura e fazer da segurança hídrica não uma reação a desastres, mas uma política de Estado.

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