A política sergipana parece já ter escolhido seus gladiadores para 2026. De um lado, o governador Fábio Mitidieri, que articula com técnica de xadrezista, distribui cargos com a precisão de quem conta os votos antes mesmo da campanha começar e avança com uma agenda institucional que, embora contestada por uns, é reconhecidamente organizada e eficiente em áreas-chave como segurança pública. De outro, Valmir de Francisquinho, prefeito de Itabaiana, que segue fazendo política à moda antiga: no meio do povo, sem precisar de filtro de Instagram nem penteado de marqueteiro.

O governo Fábio tem seus méritos. Conseguiu reduzir, com louvor, a taxa de homicídios no estado: de 57,6 para 15,1 por 100 mil habitantes entre 2016 e 2024. É um feito extraordinário. São números que o colocam como referência nacional e que demonstram que, sim, é possível ter políticas públicas eficientes quando há foco, coordenação e coragem. Feminicídios também caíram, crimes patrimoniais despencaram e, desde 2022, não há ataque sequer a agência bancária no estado. Esse resultado não surge do nada — tem nome, rosto e comando firme: o secretário João Eloy, um dos mais longevos e respeitados gestores da segurança pública no Brasil, que atua com inteligência tática e autoridade serena, combinando experiência de rua com visão estratégica. Pode anotar: isso não se consegue com improviso, exige liderança. E Fábio tem se mostrado um comandante institucional respeitável, com João Eloy como seu general de confiança nessa guerra diária pela paz social.

Ele também tem sido hábil em montar seu time, embora com escolhas que merecem questionamento. A nomeação de Nitinho Vitale para a Secretaria de Representação em Brasília soa mais como um prêmio político do que uma decisão estratégica. Nitinho é articulado localmente, mas ainda engatinha quando o assunto é trânsito real nos gabinetes federais. Brasília exige jogo pesado, e há nomes bem mais tarimbados para esse tipo de missão. Basta lembrar de André Moura: embora hoje esteja à frente do escritório de representação do Rio de Janeiro, circula por todos os ministérios com acesso direto, entra na Câmara Federal e no Senado sem precisar bater na porta e conhece os atalhos do poder como poucos. Isso sim seria uma escolha à altura dos desafios nacionais. Em vez disso, escolheu-se alguém que ainda precisa correr, e muito, para alcançar esse nível de articulação.
Fábio também entende que política se faz com gestos simbólicos. Sancionou a Lei da Vaquejada, da pega de boi e das cavalgadas, manifestações culturais que mexem com a alma nordestina. Foi um afago certeiro no vaqueiro, no sertanejo e em todo o campo conservador do interior, onde os votos não vêm de post pago, mas da confiança passada de geração em geração. A nova legislação garante segurança aos participantes e respeito aos animais. Ponto para o governo.

Mas nem só de acertos vive o Palácio. No plano econômico, o susto com a Medida Provisória 1.307/2024, que excluiu o gás natural da matriz energética permitida para data centers nas ZPEs, foi um golpe seco em Sergipe. O estado, que se posiciona como polo emergente no setor de gás, quase ficou de fora do maior projeto tecnológico em negociação: um megadata center da americana Optimus. Felizmente, o senador Laércio Oliveira reagiu rápido, anunciou emenda à MP e tenta corrigir a distorção. A pergunta que paira no ar é: por que a base governista, tão próxima do Planalto, não antecipou esse revés? Faltou articulação ou sobrou confiança?
Enquanto isso, a prefeita Emília Corrêa ensaia entrar no jogo com frases de efeito como “deixem a mulher trabalhar”. Mas os bastidores não mentem: parte do governismo prefere mil vezes enfrentá-la do que encarar Valmir. É mais fácil combater quem fala com o microfone do que quem fala com o coração do povo. Emília tem compromissos administrativos em Aracaju e sabe que ainda precisa entregar. Sua candidatura estadual seria mais conveniência de adversários do que desejo popular.

E é aí que entra Valmir, o mito. O nome que causa suor nas mãos dos estrategistas governistas. Ele é tudo aquilo que marqueteiro não fabrica: espontâneo, combativo, popular de verdade. Representa o interior com autenticidade e tem histórico de gestor que resolve. Quando fala, não é apenas o político que se expressa, é a alma sertaneja de Sergipe. Mesmo com adversários torcendo para que sua situação jurídica complique, Valmir segue presente no imaginário do eleitor como o homem capaz de virar a mesa.
Em 2026, teremos um embate de perfis: de um lado, Fábio, que entrega resultado e sabe costurar nos bastidores. Do outro, Valmir, que carrega no peito a força do povo e uma trajetória construída com suor. Fábio aposta na continuidade, nos dados, na segurança. Valmir aposta na emoção, na mudança, na coragem. Que vença o melhor e que Sergipe não escolha apenas com a cabeça ou só com o coração, mas com os dois. Porque o que está em jogo não é um gabinete, é o destino de um povo que já viu de tudo… e ainda tem muito a ensinar a quem pensa que eleição se vence só com adesivo e drone.




