O fechamento da janela partidária em Sergipe não foi apenas um movimento burocrático, foi praticamente uma dança das cadeiras em ritmo acelerado. Todo mundo correndo, se encaixando, se reposicionando e, claro, sorrindo para a foto como se estivesse tudo sob controle. Mas não está. As nominatas ganharam forma, é verdade, mas ainda respiram ajuste, tensão e aquela velha dúvida que a política adora alimentar. Porque até as convenções, meu amigo, o jogo ainda aceita mudança de última hora, e Sergipe sabe bem como isso acontece.
No PSD, a tal “chapa da sobrevivência” vem pesada. Jorginho Araújo entra como homem do governo, com a bênção e o peso do grupo. Luciano Bispo é veterano, conhece cada canto do jogo. Maisa Mitidieri carrega sobrenome que já chega votando. Adailton Martins vem estruturado, Marcell de Maim tenta crescer no meio do fogo cruzado e Carlinhos de Brejo Grande é aquele nome grande e silencioso que pode surpreender. E o Coronel Ribeiro entra com a força da farda, carisma e base organizada. Aqui não tem espaço vazio, tem disputa direta.
Na federação PT, PCdoB e PV, o clima é de resistência com estratégia. Chico dos Correios luta contra desgaste, Padre Inaldo vem com discurso e base fiel, Ibrain tenta consolidar apoio, enquanto Paulo Júnior cresce com mandato consistente. Camilo entra mais para somar, Candisse Carvalho aparece como nome forte com estrutura por trás e Professor Dudu aposta na força sindical. Aqui não tem folga, cada voto vai ser suado.
O PSB virou quase uma lista telefônica eleitoral, mas com nomes que sabem jogar. Venâncio Fonseca traz experiência, Kitty Lima vem com pauta animal, Zezinho Sobral é puxador natural. Alan de Mundinho, Francisco Gualberto, Luiz Santana e Dr. Sarmento entram com bagagem. César Prado e Adelson Barreto tentam se firmar. Delegado Clever Farias busca espaço, enquanto Lea Sobral, Nubia Lopes, Valéria da Cabana do Camarão, Leyla Paixão, Magna do SAMU, André da Educação, Eliane da Saúde e Rosângela da Barra compõem essa engrenagem grande, que pode render mais do que parece.
No PL, o discurso é direto e a conta é matemática. Lúcio Flávio e Luizão Dona Trampi vêm com base ideológica fiel. Luciano Pimentel fez o movimento calculado de Laércio Oliveira para salvar o mandato. Fernandinho Franco rodou até encontrar o melhor caminho. Cecília Marques entra compondo com presença crescente.
Já o Republicanos entra na disputa com outra pegada, de quem decidiu jogar para ganhar e não apenas para marcar presença. Sob a liderança de Valmir de Francisquinho, o partido se fortaleceu de forma clara nos últimos dias, trazendo nomes que ampliam não só a estrutura, mas também o alcance eleitoral. Além da base sólida com Breno Silveira em crescimento, Georgeo Passos com sua regularidade, Marcos Oliveira forte em Itabaiana, Ana Luiza articulada e a composição estratégica de Eduardo do Tênis e Matheus Corrêa, a legenda ganhou um reforço de peso com a filiação da jornalista Susane Vidal, nome conhecido do público sergipano, que chega com visibilidade, comunicação afiada e potencial de voto. É um grupo que une experiência, base política e presença midiática, formando uma chapa competitiva de verdade. Não é exagero dizer que o Republicanos entra forte para fazer entre dois e três deputados, com margem real de crescimento ao longo da campanha.
O MDB entra forte, com aquele tempero clássico de experiência, cálculo e sobrevivência política. Garibalde Mendonça chega com o peso de quem já atravessou oito mandatos e se posiciona para o nono, mostrando que ainda sabe como poucos ler o jogo. Fábio Henrique faz movimento duro, deixa o próprio irmão, Adilson, de lado para manter sua própria viabilidade, numa decisão fria, mas típica de quem conhece a regra do jogo. Antônio de Juca de Bala desponta como um dos nomes mais fortes da chapa, com estrutura robusta e campanha de alto nível. Gilson Andrade entra competitivo, com base regional consolidada, mas ainda corre por fora e precisa transformar isso em voto amplo. Já Danielle Garcia surge como a grande incógnita, uma espécie de “azarão invertido”, que já foi favorita, mas hoje carrega o peso de resultados recentes que deixam mais dúvida do que certeza sobre seu desempenho.
Na União Brasil com os Progressistas, o cenário ganhou corpo, músculo e aquela dose de imprevisibilidade que só eleição grande traz. Netinho Guimarães chega respaldado e bem conectado, enquanto Cristiano Cavalcante acelera com força de quem sabe onde pisa. Marcelo Sobral tenta reorganizar sua base em meio a Itaporanga dividida, e Kaká Santos mantém a solidez de quem construiu voto com consistência. Pato Maravilha segue no jogo com seu estilo irreverente, resistindo como poucos, enquanto Lidiane Lucena aparece firme, organizada e com presença crescente. No meio desse movimento, Pastor Diego avança com uma força silenciosa que chama atenção, sem barulho, com base consolidada e apoio que não oscila, típico de quem não precisa gritar para ser ouvido. Hilda Ribeiro fecha esse bloco com densidade política e boa aceitação, mostrando que essa chapa não é apenas forte, é competitiva de verdade.
No Podemos, Thiago Rangel surge como peça bem posicionada, Cássio George mantém média, Elton da Enfermagem segura base popular e Pastor José Carlos corre por fora. Já o Avante entra com disputa interna intensa entre Júnior de Diógenes, Pastor Norberto, Pastor Everaldo e Zominho do Campo do Brito, enquanto Dr. Juarez e Wellington completam a chapa. Aqui, quem errar o passo fica pelo caminho.
No fim, Sergipe virou um grande diagrama político em movimento. Nomes fortes, nomes médios, nomes em construção, todos disputando espaço em um cenário cada vez mais apertado. As redes mostram confiança, os bastidores revelam tensão. E o eleitor, como sempre, observa tudo em silêncio. Porque no final, depois de tanta articulação, é a urna que decide. E urna não se impressiona com estratégia, se impressiona com voto.





Uma resposta
Vc esqueceu do PSOL.