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Editorial: O retorno de Valdevan Noventa, o jacarandá da política sergipana

A política brasileira tem dessas figuras que não cabem em manual nem em biografia comportada. Gente que não nasceu para o gabinete silencioso, mas para o barulho da rua, para a pressão, para o conflito. Valdevan Noventa é desse tipo. Daqueles que a política tenta derrubar, empurra, desgasta, mas não quebra. Como jacarandá em dia de vendaval: range, verga, perde folha, mas segue em pé.

A história começa longe de Brasília. Começa em Estância, cidade onde muita gente aprende cedo que, se quiser crescer, precisa sair. Valdevan saiu. Foi para São Paulo como tantos nordestinos anônimos, sem sobrenome político, sem padrinho institucional, levando na bagagem mais coragem do que certeza. Lá, fez o que poucos conseguem: organizou, liderou e virou presidente do sindicato dos motoristas da maior cidade do país. Não é pouco. Em São Paulo, quem manda em sindicato de motorista aprende rápido sobre negociação dura, pressão constante e sobrevivência política em ambiente hostil.

Esse DNA explica muita coisa do que veio depois. Valdevan nunca foi político de gabinete almofadado. Entrou na política federal como quem entra numa briga de trânsito: sabendo que vai ter buzina, xingamento e empurrão. E teve. Foi alvo de processos, disputas judiciais, campanhas de desgaste e tentativas claras de apagamento. Apanhou. Apanhou muito. Mas não desapareceu.

Mesmo sem mandato, Valdevan fez algo que incomoda quem vive só de cargo: continuou presente. Em 2024, esteve nas articulações municipais em Umbaúba, Arauá, Santa Luzia do Itanhy e Itabaianinha. Não foi figurante. Foi operador. Ajudou a montar campanhas, costurou alianças, criou capital político enquanto outros só criavam postagem. Isso, na política real, conta mais do que discurso bonito.

O rompimento com a prefeita de Umbaúba, Juliana Cardoso, foi tratado por ele sem maquiagem. Disse que se sentiu traído. Em tempos de política plastificada, assumir mágoa virou quase um ato de sinceridade radical. Política é feita de acordos, mas também de rupturas. Quem nunca rompeu, normalmente nunca decidiu nada relevante.

A possível volta de Valdevan às urnas em 2026 não é detalhe. Mexe no tabuleiro proporcional e cria um efeito colateral evidente: dificulta a vida de Thiago de Joaldo. São da mesma região, disputam o mesmo eleitorado e carregam uma história comum. Na eleição passada, Valdevan apoiou Thiago. Agora, cada um segue seu caminho. Política não é linha reta e gratidão, embora bonita no discurso, raramente sobrevive ao calendário eleitoral.

Valdevan, ao que tudo indica, vem trabalhando com afinco para retornar à Câmara Federal. Estrutura ele tem. Nome lembrado ele tem. Base regional, também. E, sobretudo, tem algo que não se improvisa: resiliência. Ele conhece o peso da queda, mas também o caminho da volta. Já enfrentou o mundo sindical paulista, o sistema político sergipano e os tribunais. Não é alguém que se assusta fácil.

Num cenário em que muitos candidatos vivem de marketing, Valdevan vive de histórico. Pode-se gostar ou não de seu estilo, mas ignorar sua trajetória é erro de análise. Ele representa aquele tipo de político que a elite adora subestimar e o eleitor costuma reconhecer: o que caiu, levantou e voltou mais cascudo.

A disputa proporcional de 2026 promete ser uma das mais duras dos últimos anos. E Valdevan Noventa entra nela como quem já conhece o caminho pedregoso. Não promete suavidade, não vende perfeição. Entrega o que sempre entregou: confronto, presença e insistência.

Na política, há os que quebram ao primeiro impacto. E há os que, como Valdevan, seguem firmes, mesmo com as marcas da pancada. Jacarandá não pede licença ao vento. Aguenta. E segue crescendo.

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