Tem recondução que parece carimbo. Essa não. Eduardo Côrtes voltou ao comando do Ministério Público de Contas de Sergipe com aquela coisa rara no serviço público. Aprovação por aclamação. Traduzindo para o português claro. Ninguém quis nem discutir. É tipo aquele jogador que sai de campo aplaudido até pelo time adversário. E no meio disso tudo, uma constatação que começa a incomodar alguns gabinetes mais barulhentos. Dá para exercer poder sem fazer espetáculo.
A narrativa oficial fala em continuidade administrativa, compromisso institucional e confiança. Tudo correto. Tudo dentro do script. Mas o que chama atenção mesmo é o que não está escrito na nota. Côrtes construiu uma reputação de mais de duas décadas no MPC não só pela técnica. Isso tem aos montes por aí. O diferencial dele está em algo que não se ensina em concurso. Ele escuta. E escuta de verdade. Num ambiente onde muita gente fala olhando para o próprio umbigo, isso já vira quase um ato revolucionário.
E aqui entra o ponto que pouca gente gosta de admitir. Existe uma diferença gritante entre o Ministério Público que só aponta o dedo e aquele que entende o contexto antes de agir. Eduardo Côrtes parece ter escolhido o segundo caminho. Não é o procurador do apocalipse. Não é o fiscal de Instagram da gestão pública. É o cara que olha o processo, entende a engrenagem e, só depois, decide onde apertar. Parece simples. Mas, no Brasil, isso é quase tecnologia de ponta.
O currículo ajuda. Mais de 20 anos no órgão, entrada como subprocurador, ascensão natural até chegar ao topo, experiência acumulada e respeito interno consolidado. Mas, curiosamente, não é isso que sustenta a recondução. O que sustenta é o estilo. Equilíbrio, prudência e, principalmente, a capacidade de tratar gente como gente. Parece detalhe. Não é. Em estruturas onde o poder costuma endurecer as relações, manter humanidade virou diferencial competitivo.
No fim, a recondução de Eduardo Côrtes manda um recado elegante e direto. O Ministério Público não precisa ser sinônimo de barulho para ser forte. Pode ser firme sem ser truculento. Pode cobrar sem humilhar. Pode fiscalizar sem esquecer que existe uma realidade do outro lado do processo. E quando isso acontece, o controle deixa de ser só punição e passa a ser construção. O resto é gritaria.




